Uma multidão de pescadores do município de Santo Antônio de Leverger protestaram na tarde desta segunda-feira (05), contra o PL nº 1363/2023 - Mensagem nº 80/2023 de autoria do governador Mauro Mendes (União Brasil), que proíbe o transporte, armazenamento e comercialização do peixe em Mato Grosso.
Revoltados contra a proposta, os pescadores chegaram a afirmar que com a aprovação do projeto, muitas famílias “irão passar fome”, pois sobrevivem diretamente das atividades pesqueiras na região.
“Sou pescador desde 1994, e sinceramente, se acabarem com a pesca em Mato Grosso, nós vamos passar fome. É com a pesca que a gente sobrevive e pagamos nossas contas. Eu dependo da pesca para tudo, para pagar minha água, minha luz e vou passar necessidade se eu não puder mais pescar. Ainda mais, com esse valor que o governador quer dar para nós, vamos passar fome, essa que é a verdade”, afirmou Sr. Catarino, pescador aproximadamente 30 anos no município.
Um pescador que preferiu não se identificar ressaltou que a principal preocupação dos ribeirinhos é a questão da aposentadoria, porque segundo ele, a categoria tem dúvidas de como será feito o recolhimento dos valores para aposentar com segurança.
“Outra questão que é uma falha nesta proposta é a contribuição para aposentar. Como será feito esse recolhimento? Isso o governador deveria explicar para nós. E outra, com a proibição por lei, não poderemos mais plantar nas margens dos rios. Não poderemos plantar um milho, uma mandioca, uma abóbora ou até mesmo criar uma galinha, um porco, fato que dificulta ainda mais a nossa vida. Sem falar na questão do valor que o Governo quer nos repassar, será que ele não pensa que é impossível viver com tão pouco?” Questionou o pescador.
Andamento do Projeto:
A proposta foi aprovada em primeira votação na Assembleia Legislativa. Os deputados que votaram contra a proposta foram os deputados: Dr. João (MDB) Lúdio Cabral (PT), Wilson Santos (PSD), Elizeu Nascimento (PL), e Thiago Silva (MDB).
O deputado estadual e presidente licenciado da Assembleia Legislativa (ALMT), Eduardo Botelho (UB), afirmou que o projeto só voltará a ser discutido pelos deputados após seu retorno à Casa Legislativa.
À imprensa, Botelho afirmou que esse foi o único pedido feito a deputada estadual Janaina Riva (MDB) – que assume interinamente o comando da Assembleia – desde a sua saída.
“Já tive algumas conversações, já conversei com a Janaina para ela não colocar o projeto em segunda votação, ela poderia fazer isso e encerrar a discussão, mas a meu pedido, ela não colocou para aguardar a minha volta para trabalharmos nesse projeto. Ela poderia ter encerrado esse projeto na sexta-feira, se ela quisesse, até porque ele entrou como pauta de urgência, mas como eu pedi, ela segurou o projeto para me aguardar”, disparou.
Ao falar sobre a polêmica em torno do projeto, Botelho reiterou dizendo que antes de ser aprovada, é necessário estudar se ele será votado como está, ou se será melhorado.
“Quando eu voltar, vou tomar uma posição sobre esse projeto, precisamos estudar junto com os deputados o que nós vamos fazer, se ele vai ser votado como está, se ele será melhorado, preciso estudar isso, no momento em que eu voltar com os deputados”, disse.
