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Economia

Juros nas alturas deixam setor produtivo com os pés no freio

05/11/2026 • 16:16 • Por Felipe Masid

A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central foi alvo de críticas do setor produtivo

Foto: Ümit Yıldırım/Unsplash

Manutenção da Selic em 13,75% ao ano provoca críticas de empresários e representantes da indústria, que alertam para os impactos sobre investimentos, consumo e geração de empregos

O Banco Central manteve os juros nas alturas e deixou o setor produtivo brasileiro sem motivos para comemorar. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de preservar a taxa básica Selic em 13,75% ao ano, anunciada nesta quarta-feira, 4, provocou críticas de representantes da indústria, do comércio e de outros segmentos empresariais. Para essas entidades, o custo elevado do dinheiro funciona como um freio para a atividade econômica, encarecendo financiamentos, dificultando a expansão dos negócios e comprometendo a capacidade de investimento das empresas. Enquanto o Banco Central busca conter as pressões inflacionárias, empresários argumentam que a manutenção prolongada de juros elevados acaba impondo um preço considerável à produção nacional e ao mercado de trabalho.

A principal preocupação está nos efeitos da política monetária sobre o crédito e o crescimento econômico. Com a Selic nesse patamar, empréstimos para capital de giro, aquisição de máquinas, ampliação de instalações e financiamento de projetos produtivos tendem a permanecer caros, especialmente para pequenas e médias empresas. O encarecimento também alcança as famílias, que enfrentam condições menos favoráveis para financiar imóveis, veículos e bens de consumo duráveis. Representantes empresariais defendem que a redução gradual dos juros poderia estimular a atividade econômica sem necessariamente comprometer o controle da inflação, desde que acompanhada de condições fiscais e monetárias adequadas. O Banco Central, por sua vez, considera a evolução dos preços, as expectativas inflacionárias e os riscos econômicos para definir o momento apropriado de flexibilizar sua política.

Crédito caro, crescimento ameaçado

A indústria está entre os segmentos mais sensíveis à manutenção de juros elevados, uma vez que depende de financiamentos de longo prazo para modernizar equipamentos, incorporar tecnologias e ampliar a capacidade produtiva. No comércio, o impacto aparece tanto no custo das operações quanto na menor disposição dos consumidores para assumir prestações. Entidades do setor produtivo alertam que esse ambiente pode provocar adiamento de investimentos, redução do ritmo de contratações e perda de competitividade, dificultando uma expansão econômica mais consistente. A preocupação também envolve os efeitos sobre as cadeias de fornecedores, já que decisões de investimento tomadas por grandes empresas influenciam inúmeros negócios menores e a geração de renda em diferentes regiões do país.

A decisão do Copom evidencia o desafio de conciliar estabilidade dos preços e crescimento econômico. Juros elevados são utilizados para conter a demanda e reduzir pressões inflacionárias, mas seus efeitos também atingem o consumo, o investimento e o custo do crédito. Para o setor produtivo, a expectativa é de que a trajetória da inflação e a evolução dos indicadores econômicos permitam iniciar um ciclo sustentável de redução da Selic. Já a autoridade monetária precisa avaliar se existem condições suficientes para afrouxar a política monetária sem comprometer a convergência da inflação à meta. Enquanto essa definição não chega, empresas e consumidores continuam convivendo com financiamentos mais caros e decisões econômicas cada vez mais cautelosas. Afinal, quando o dinheiro custa caro, não são apenas os empréstimos que pesam no orçamento: as oportunidades de crescimento também acabam ficando mais distantes.

Felipe Masid