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Gastronomia e Turismo

Turismo de negócios decola e movimenta R$ 11 bilhões no Brasil

03/11/2026 • 06:28 • Por Felipe Masid

Os números, divulgados pela Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) representam um recorde para o período

Foto: Vitaly Gariev/Unsplash

Viagens corporativas registram faturamento recorde em 2026, impulsionadas pelo transporte aéreo, pela hotelaria e pela expansão dos serviços ligados a eventos empresariais

Viajar a trabalho nunca movimentou tanto dinheiro no Brasil. Entre reuniões, congressos, feiras e compromissos corporativos, o turismo de negócios alcançou um novo patamar e mostrou que, para além das férias e do lazer, as viagens profissionais também representam uma importante engrenagem da economia nacional. De janeiro a setembro de 2026, o setor faturou R$ 11,07 bilhões, crescimento de 7,41% em comparação com o mesmo período do ano passado. Os números, divulgados pela Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) representam um recorde para o período e reforçam a importância da atividade para companhias aéreas, redes hoteleiras, agências especializadas e empresas prestadoras de serviços. Somente em setembro, a movimentação financeira chegou a R$ 1,31 bilhão, alta de 1,74% sobre o mesmo mês de 2025. O desempenho confirma a relevância das viagens empresariais para a circulação de recursos e a geração de oportunidades comerciais, embora o ritmo de crescimento mensal tenha sido inferior ao observado no acumulado do ano.

O transporte aéreo continua sendo o principal motor financeiro desse mercado, concentrando aproximadamente 60% de todo o faturamento registrado nos primeiros nove meses de 2026. As companhias aéreas movimentaram R$ 6,64 bilhões, avanço de cerca de 11% na comparação anual, resultado que evidencia o peso das passagens na composição dos custos das viagens profissionais. A hotelaria aparece em segundo lugar, com receita de R$ 3,27 bilhões e crescimento próximo de 3%, beneficiada pela demanda por hospedagem de executivos, representantes comerciais e participantes de eventos. Juntos, os dois segmentos responderam por quase 90% da receita acompanhada pela Abracorp, demonstrando a concentração econômica da atividade. Outros serviços, entretanto, apresentaram expansão proporcionalmente mais expressiva. O seguro-viagem registrou aumento de 71%, alcançando R$ 32 milhões, enquanto os serviços de transfer cresceram 26%, com faturamento de R$ 52,5 milhões. Os resultados mostram que o mercado corporativo também abre espaço para negócios complementares, desde transporte terrestre e assistência aos viajantes até soluções especializadas em logística e deslocamento.

Negócios em movimento

O levantamento mensal da Abracorp acompanha 11 setores relacionados às viagens corporativas e permite identificar mudanças no comportamento das empresas e na distribuição de seus gastos. Em setembro, as passagens aéreas movimentaram R$ 794,8 milhões, crescimento de 6,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O transporte rodoviário também apresentou desempenho positivo, com receita de R$ 6,64 milhões e expansão de 19%. Apesar do faturamento recorde, outros indicadores revelam um cenário que merece atenção: segundo dados divulgados pelo setor, o número de transações caiu 5% no mês, para aproximadamente 1,63 milhão, enquanto o gasto médio aumentou 7,1%, chegando a R$ 803,67. Isso significa que o crescimento da receita não decorreu necessariamente de um aumento no volume de viagens contratadas, podendo refletir também a elevação dos valores pagos pelas empresas. A hotelaria, por exemplo, registrou queda de 3,85% no faturamento de setembro e redução de 6,87% nas reservas, apesar do resultado positivo no acumulado do ano. Essa diferença entre receita e quantidade de serviços contratados demonstra que o recorde financeiro, embora relevante, não deve ser interpretado isoladamente como uma expansão uniforme de toda a atividade.

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, comemorou os resultados e destacou a capacidade do segmento de gerar empregos qualificados, atrair investimentos e fortalecer a presença brasileira no mercado internacional de eventos e feiras corporativas. Segundo ele, o governo pretende continuar trabalhando para melhorar a infraestrutura dos destinos e ampliar a conectividade, fatores considerados essenciais para consolidar o crescimento da atividade. O desempenho das viagens de negócios acompanha outro indicador positivo do turismo nacional: entre janeiro e setembro, os gastos de visitantes estrangeiros no Brasil alcançaram US$ 8,38 bilhões, equivalentes a aproximadamente R$ 45,6 bilhões, aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2025. Embora os levantamentos representem atividades distintas, ambos demonstram a importância econômica da circulação de viajantes e dos serviços associados ao setor. Para manter essa trajetória, entretanto, o país ainda precisa enfrentar desafios relacionados aos custos de transporte, à oferta de voos, à infraestrutura aeroportuária e à competitividade dos destinos. A expansão de congressos, convenções e encontros empresariais pode favorecer hotéis, restaurantes, transportadoras e prestadores de serviços em diferentes regiões, ampliando os benefícios para além das grandes capitais. Com receitas em alta e novas oportunidades de negócios, o turismo corporativo encerra os primeiros nove meses de 2026 em posição de destaque, mostrando que viajar a trabalho também pode ser um excelente negócio para a economia brasileira.

Felipe Masid