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Política

Flávio vira a página, mas não desiste das urnas e fala em nova eleição antes de 2030

31/10/2026 • 08:46 • Por Leo Pinheiro

Em sua primeira transmissão ao vivo desde que deixou o Brasil, o senador surpreendeu seus apoiadores ao admitir a possibilidade de uma nova eleição presidencial antes de 2030

Imagem: Fotos: Reprodução/Instagram

Dos Estados Unidos, senador nega fraqueza por deixar o Brasil, denuncia perseguição política e admite disputar novamente a Presidência antes do próximo calendário eleitoral

A eleição presidencial de 2026 terminou nas urnas, mas, para Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a disputa política está longe de chegar ao último capítulo. Em sua primeira transmissão ao vivo desde que deixou o Brasil, o senador surpreendeu seus apoiadores ao admitir a possibilidade de uma nova eleição presidencial antes de 2030, e se colocar novamente à disposição para concorrer ao Palácio do Planalto. Diretamente dos Estados Unidos, na noite desta sexta-feira, 30, o parlamentar afirmou que sua saída do país não representa fraqueza ou abandono da vida pública, mas uma decisão estratégica diante do que considera uma perseguição judicial. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado em 25 de outubro, Flávio contestou o resultado eleitoral, embora não tenha apresentado provas de irregularidades capazes de comprometer a votação, e prometeu continuar mobilizando seus quase 60 milhões de eleitores.

Durante a transmissão pelo Instagram, Flávio Bolsonaro relatou que decidiu deixar o território brasileiro após ser informado sobre uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apreensão de seus passaportes e proibição de viagens internacionais. Segundo o senador, a decisão foi tomada em conjunto com sua esposa, Fernanda Bolsonaro, depois de uma conversa com o ex-Presidente Jair Bolsonaro, que teria demonstrado preocupação com os desdobramentos das medidas judiciais. Flávio afirmou ter interpretado a situação como um sinal de que poderia ser preso, e negou que a viagem representasse uma demonstração de medo. O parlamentar declarou que analisou o cenário político e jurídico antes de agir, sustentando que sua permanência no exterior lhe permitirá continuar se manifestando e articulando a oposição. Apesar das alegações de perseguição, não havia ordem de prisão contra ele.

De olho em uma nova disputa

Ao abordar o futuro político, Flávio Bolsonaro afirmou que a situação econômica poderá provocar um desgaste acelerado do governo Lula e abrir caminho para uma eventual interrupção antecipada do mandato presidencial. Na avaliação do senador, o cenário fiscal brasileiro apresenta dificuldades superiores às enfrentadas durante a crise que antecedeu o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. Ele argumentou que o Presidente terá dificuldades para cumprir as promessas eleitorais sem adotar medidas econômicas que, segundo sua interpretação, poderão agravar os problemas das contas públicas. Flávio também mencionou a possibilidade de questionar judicialmente a eleição, buscando a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin por suposto abuso de poder político e econômico. Uma eventual cassação dependeria de decisão da Justiça Eleitoral e do cumprimento das regras constitucionais para convocação de novas eleições. Ao reafirmar sua disposição de disputar novamente a Presidência, o senador foi enfático ao dizer que não estava se referindo a 2030, mas a um período anterior.

Mesmo distante do Brasil, Flávio Bolsonaro pretende manter protagonismo nas articulações da oposição e utilizar as redes sociais como principal instrumento de comunicação com seus apoiadores. O senador declarou que continuará acompanhando os acontecimentos políticos, defendendo suas posições e incentivando a atuação dos parlamentares contrários ao governo Lula. Também manifestou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado, apontando o Congresso Nacional como espaço fundamental para a atuação oposicionista. Embora tenha reiterado acusações contra o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o resultado da eleição presidencial foi reconhecido oficialmente pela Justiça Eleitoral, que confirmou a vitória de Lula. A possibilidade de uma nova disputa antes de 2030, portanto, permanece condicionada a acontecimentos políticos e decisões jurídicas que ainda não ocorreram. Para Flávio, entretanto, a derrota eleitoral não encerra suas pretensões presidenciais, e a permanência nos Estados Unidos representa, segundo sua própria versão, uma nova etapa de sua atuação política.

Leo Pinheiro