Juíza determina preservação de imagens de segurança para apurar possível participação do governo Milei na saída de Flávio rumo aos EUA
A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos pode ter deixado rastros que vão muito além dos registros de imigração. Agora, são as câmeras de segurança que podem ajudar a esclarecer os bastidores da passagem do senador brasileiro pela Argentina. A juíza federal María Eugenia Capuchetti determinou, nesta quinta-feira, 29, a preservação das gravações que registraram a movimentação do parlamentar no país vizinho. A decisão busca impedir o desaparecimento de possíveis provas sobre uma suposta colaboração de integrantes do governo do Presidente Javier Milei na saída de Flávio do Brasil, apesar de uma restrição judicial imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A determinação atende a uma solicitação da procuradora Paloma Ochoa, após denúncia apresentada pelo dirigente de esquerda Gabriel Solano, do Partido Operário argentino. O pedido envolve imagens da Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na Argentina, além de gravações do aeroporto utilizado pelo senador. A magistrada também requisitou informações às autoridades migratórias e diplomáticas para verificar se o governo argentino havia recebido alguma comunicação oficial sobre as restrições impostas a Flávio pelo ministro Alexandre de Moraes. A denúncia levanta suspeitas de abuso de autoridade, favorecimento irregular e utilização indevida de recursos públicos.
Viagem sob investigação
Acompanhado da esposa e das duas filhas, Flávio Bolsonaro atravessou a fronteira brasileira na noite de terça-feira, 27, e embarcou em uma aeronave particular no aeroporto de Puerto Iguazú. O voo seguiu inicialmente para Guayaquil, no Equador, antes de chegar a Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira, 28. A viagem ocorreu depois que Moraes determinou a apreensão dos passaportes do senador e proibiu sua saída do território brasileiro. Apesar das suspeitas, a Promotoria Federal de Puerto Iguazú rejeitou uma denúncia semelhante apresentada pela deputada argentina Marcela Pagano, após concluir que não havia indícios de irregularidades nos procedimentos migratórios. A decisão ainda poderá passar por revisão.
A ordem de preservação das imagens não representa, por enquanto, a abertura de uma investigação criminal formal contra Milei ou integrantes de seu governo. A procuradoria argentina deverá analisar os documentos e registros solicitados antes de decidir se existem elementos suficientes para aprofundar as apurações. Segundo as autoridades migratórias, Flávio apresentou documentação válida, enquanto a Interpol não identificou restrições internacionais contra o parlamentar. Nos Estados Unidos, o senador afirma ser vítima de perseguição política e agradeceu publicamente o apoio de Donald Trump e Javier Milei. Enquanto os desdobramentos jurídicos permanecem indefinidos, as gravações preservadas poderão ajudar a esclarecer se a passagem pela Argentina ocorreu exclusivamente dentro dos procedimentos legais ou contou com alguma interferência irregular de autoridades locais.