Notícia Todo Dia NTD
Economia

Rombo do governo Lula chega a R$ 90,2 bilhões nos primeiros nove meses do ano

29/10/2026 • 15:57 • Por Leo Pinheiro

O resultado reúne as contas do Tesouro, da Previdência Social e do Banco Central, sem considerar os juros da dívida pública

Imagem: Arte: Lagoa Comunicação

Mesmo com arrecadação recorde e aumento de impostos, governo federal acumula déficit bilionário nos nove primeiros meses de 2026; despesas continuam crescendo acima da inflação

O governo Lula continua fazendo contas, mas o resultado permanece no vermelho. Apesar da arrecadação elevada e das medidas de aumento de impostos adotadas nos últimos anos, o Governo Federal acumulou um rombo de R$ 90,2 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 29, pelo Tesouro Nacional. O resultado reúne as contas do Tesouro, da Previdência Social e do Banco Central, sem considerar os juros da dívida pública. Embora setembro tenha registrado um superávit primário de R$ 4,8 bilhões, revertendo o déficit de R$ 14,4 bilhões observado no mesmo mês de 2025, o saldo positivo não foi suficiente para retirar as contas federais do vermelho. O desempenho evidencia as dificuldades da administração petista para equilibrar receitas e despesas, mesmo diante do crescimento da arrecadação tributária.

A melhora pontual de setembro foi impulsionada principalmente pelo aumento das receitas, que cresceram 13,6% acima da inflação, alcançando R$ 204,9 bilhões, enquanto as despesas avançaram 2,4%, totalizando R$ 200,1 bilhões. Entre os fatores que favoreceram o caixa federal estão o aumento de R$ 7,3 bilhões na arrecadação do Imposto de Renda, a elevação de R$ 5,7 bilhões nas receitas provenientes da exploração de recursos naturais, e o ingresso extraordinário de R$ 12,8 bilhões relacionados ao cancelamento de precatórios judiciais. Esse último fator teve papel decisivo no resultado positivo do mês, mas não representa uma fonte permanente de arrecadação. No acumulado do ano, a receita líquida cresceu 6,5% em termos reais, enquanto as despesas aumentaram 5,4%, demonstrando que, apesar do avanço das entradas de recursos, os gastos públicos continuam pressionando o orçamento federal.

Impostos sobem, rombo permanece

A Previdência Social continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre as contas públicas. Entre janeiro e setembro, o sistema previdenciário acumulou déficit de aproximadamente R$ 303,2 bilhões, parcialmente compensado pelo superávit de R$ 213,1 bilhões registrado pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central. Somente em setembro, os gastos com benefícios previdenciários cresceram R$ 2,1 bilhões acima da inflação, impulsionados pelo aumento do número de beneficiários e pela política de valorização do salário mínimo. Os créditos extraordinários também avançaram R$ 9,9 bilhões, principalmente em razão das medidas adotadas para amenizar os impactos econômicos dos conflitos no Oriente Médio. Apesar das pressões, o déficit acumulado até setembro ficou abaixo dos R$ 100,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025, representando uma melhora de aproximadamente R$ 10,1 bilhões, mas ainda distante de um equilíbrio efetivo das contas federais.

O resultado amplia o desafio fiscal do governo Lula na reta final de 2026. A meta oficial estabelece um superávit primário equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em aproximadamente R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância que permite resultado zero. Entretanto, considerando as exclusões de despesas autorizadas pelas regras fiscais, o próprio governo trabalha com a possibilidade de encerrar o ano com déficit de R$ 67,3 bilhões. Caso essa projeção se confirme, o terceiro mandato de Lula terminará com resultados primários negativos em todos os quatro anos, apesar das iniciativas para ampliar a arrecadação. O cenário reforça o debate sobre a necessidade de maior controle das despesas, eficiência na aplicação dos recursos e sustentabilidade das contas públicas. Mesmo arrecadando mais, o governo ainda não conseguiu fazer o dinheiro que entra superar o que sai, mantendo o equilíbrio fiscal como um dos principais desafios da economia brasileira.

Leo Pinheiro