Coligação do Presidente solicita prorrogação das urnas até as 19h00, alegando dificuldades no transporte público em diversas regiões do país; decisão está nas mãos do ministro Kassio Nunes Marques
Na corrida pelo Palácio do Planalto, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu disputar também os ponteiros do relógio. Em pleno segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo, 25, a coligação do Presidente apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de urgência para ampliar o horário de votação das 17h00 para as 19h00 em municípios de pelo menos nove estados brasileiros. A iniciativa ocorreu após relatos de problemas no transporte público que, segundo os advogados do petista, estariam dificultando o deslocamento de eleitores até as urnas. O requerimento foi encaminhado ao Presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, em meio à disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A solicitação acrescentou um novo capítulo de tensão ao dia decisivo da eleição, levantando discussões sobre o funcionamento dos serviços de transporte e a garantia do direito ao voto.
A petição, assinada às 15h42, abrange municípios de São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará, Paraná e Rio de Janeiro, além de ampliar uma solicitação apresentada anteriormente para Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. Segundo a coligação, os problemas incluem redução da frota de ônibus, descumprimento de itinerários, longas esperas e dificuldades de acesso ao transporte gratuito. Na capital paulista, os advogados afirmaram que apenas 60% da frota estaria circulando, apesar de determinação judicial para operação integral dos veículos. Em Salvador, fiscalizações identificaram ônibus retidos em garagens, enquanto outras localidades registraram reclamações envolvendo transporte intermunicipal e deslocamento de comunidades rurais e indígenas. A campanha sustenta que essas situações podem comprometer a participação de eleitores que dependem exclusivamente do transporte coletivo.
Disputa contra o relógio
Além da ampliação do horário, a coligação de Lula solicitou providências das autoridades policiais contra eventuais responsáveis por impedir ou dificultar o exercício do voto. O documento também pede que eleitores presentes nos locais de votação às 17h00 recebam senhas, inclusive quando estiverem nas áreas externas ou nos acessos aos prédios. O Presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reconheceu a existência de reclamações relacionadas ao transporte e afirmou que os pedidos seriam analisados pela Justiça Eleitoral. A Corte, entretanto, ainda não havia anunciado uma decisão definitiva sobre a prorrogação até a publicação das primeiras informações. Paralelamente, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reforçou que os eleitores que estiverem nos locais de votação até as 17h00 têm o direito de votar, mesmo que o atendimento ultrapasse o horário oficial de encerramento. A medida busca evitar que filas ou atrasos impeçam a participação de quem chegou dentro do prazo estabelecido.
A movimentação jurídica ocorre em um momento de grande expectativa sobre o resultado da eleição presidencial, marcada pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro e por pesquisas que apontaram empate técnico na reta final da campanha. Embora o pedido tenha sido apresentado pela coligação petista, uma eventual ampliação do horário beneficiaria todos os eleitores das localidades contempladas, independentemente da preferência política. O episódio também reacendeu o debate sobre a responsabilidade das administrações municipais e das empresas concessionárias na garantia do transporte público durante as eleições. Pela legislação eleitoral e pelas determinações judiciais em vigor, os serviços devem assegurar condições adequadas para o deslocamento dos cidadãos. Com mais de 158 milhões de brasileiros aptos a votar, a decisão sobre a prorrogação poderá afetar o funcionamento de seções eleitorais em diferentes regiões. Enquanto o TSE avalia os argumentos apresentados, a campanha de Lula tenta garantir mais tempo para a votação, e a disputa pelo comando do país permanece aberta até a conclusão da apuração oficial.