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Esporte

Vasco vira a página das dívidas e Pedrinho promete novo jogo com venda da SAF

24/10/2026 • 05:20 • Por João Vieira

Na noite de sexta-feira, 23, os associados deram sinal verde à negociação durante Assembleia Geral Extraordinária realizada na Sede Náutica, no Rio de Janeiro.

Foto: Reprodução/Instagram

Com aprovação de 90% dos votos dos sócios, clube negocia 90% de sua SAF com empresa de Marcos Lamacchia; presidente anuncia nova fase financeira e investimentos para tornar o Vasco mais competitivo

Depois de tantos anos jogando na defesa contra dívidas milionárias, crises administrativas e dificuldades financeiras, o Vasco acredita finalmente ter encontrado um reforço de peso fora das quatro linhas. A aprovação da venda de 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para a Almirante Participações, ligada ao empresário Marcos Lamacchia, abriu uma nova perspectiva para o clube de São Januário. Na noite de sexta-feira, 23, os associados deram sinal verde à negociação durante Assembleia Geral Extraordinária realizada na Sede Náutica, no Rio de Janeiro. O resultado foi expressivo: 4.675 votos favoráveis, 437 contrários e 48 abstenções, representando aproximadamente 90% de aprovação. Emocionado, o presidente Pedrinho classificou a decisão como histórica e afirmou que a chegada do novo investidor representa uma mudança decisiva na trajetória cruzmaltina. Confiante na capacidade financeira de Lamacchia, o dirigente foi categórico ao declarar: "Acabou o problema das dívidas do Vasco." A promessa, entretanto, ainda dependerá da execução dos compromissos financeiros previstos no acordo e da conclusão das etapas necessárias à transferência do controle da SAF.

A negociação representa uma tentativa de superar os problemas enfrentados pelo Vasco desde a entrada da antiga controladora, a 777 Partners, cuja gestão foi marcada por conflitos e dificuldades financeiras. Pedrinho destacou que o novo investidor oferece garantias e condições econômicas que, segundo ele, não existiam no acordo anterior. A Almirante Participações assumirá o controle de 90% da SAF, com compromissos que incluem aportes de R$ 500 milhões para o futebol, distribuídos em parcelas anuais de R$ 100 milhões, além de R$ 150 milhões destinados à infraestrutura dos centros de treinamento. O acordo também prevê a assunção de obrigações financeiras da SAF, enquanto mecanismos contratuais buscam proteger o patrimônio e garantir a continuidade dos investimentos. Entre as medidas previstas estão restrições à distribuição de dividendos e à venda da participação societária durante dez anos. A expectativa da direção é que os recursos permitam melhorar a estrutura de trabalho, fortalecer as categorias de base e ampliar a capacidade de contratação de jogadores. Apesar do entusiasmo, Pedrinho evitou prometer títulos, reconhecendo que resultados esportivos dependem de fatores que vão além do dinheiro.

Nova SAF, novas expectativas

A aprovação dos sócios encerra a etapa interna de autorização da venda, mas o negócio ainda precisa cumprir exigências regulatórias e contratuais para sua conclusão definitiva. Entre os órgãos envolvidos estão a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A análise regulatória ganhou atenção especial devido à relação familiar entre Marcos Lamacchia e Leila Pereira, presidente do Palmeiras, levantando questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses entre clubes. Pedrinho afirmou que toda a negociação foi conduzida com transparência e que a documentação necessária será apresentada às autoridades competentes. O dirigente também abordou projetos de infraestrutura, incluindo a modernização do centro de treinamento e a reforma de São Januário. No caso do CT, explicou que o início das obras depende da conclusão de intervenções da prefeitura em um terreno vizinho. Já sobre o estádio, indicou que a expectativa é começar a reforma em 2027, após o cumprimento das exigências técnicas e jurídicas. A chegada de Lamacchia também abre caminho para o planejamento esportivo da próxima temporada, com a possibilidade de investimentos mais robustos na montagem do elenco.

Para Pedrinho, a aprovação da venda representa não apenas uma conquista administrativa, mas também o encerramento de um período de enorme desgaste pessoal e institucional. O presidente revelou que encontrou uma situação financeira preocupante quando assumiu a gestão da SAF, chegando a enfrentar incertezas sobre a disponibilidade de recursos para honrar compromissos imediatos. Segundo ele, o trabalho de reorganização permitiu manter pagamentos e negociar obrigações com credores, preparando o terreno para a chegada do novo investidor. Lamacchia, por sua vez, demonstrou interesse em transformar o Vasco em uma potência do futebol brasileiro, intenção que Pedrinho acredita ultrapassar os compromissos formalmente estabelecidos no contrato. O dirigente também confirmou que decidiu disputar a reeleição à presidência do clube após um pedido do empresário, apesar de inicialmente planejar o retorno a projetos pessoais. Com a aprovação da venda, o Vasco inicia uma etapa de expectativas renovadas, sustentada pela promessa de equilíbrio financeiro, modernização da estrutura e maior competitividade dentro de campo. A torcida, entretanto, terá de aguardar a concretização dos investimentos para descobrir se a mudança de controle será suficiente para transformar as promessas em resultados. Afinal, depois de tantas dificuldades, o desafio cruzmaltino será provar que a virada de página também pode representar uma virada de jogo.

João Vieira