Aumento dos custos de produção e queda no preço do bezerro pressionam a rentabilidade dos pecuaristas, com despesas de manejo sanitário e reprodutivo subindo 16,80%
O pasto continua verde, mas as contas dos pecuaristas de Mato Grosso estão cada vez mais apertadas. Em um dos maiores polos da pecuária brasileira, criar gado ficou mais caro e o retorno financeiro dos produtores perdeu força no terceiro trimestre de 2026. O aumento das despesas com a criação de bezerros, combinado à desvalorização dos animais, provocou uma redução de 4,55% na margem operacional da atividade, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O cenário revela um desafio para quem vive da pecuária: enquanto os gastos necessários para manter o rebanho aumentam, os preços de comercialização nem sempre acompanham o mesmo ritmo, comprimindo os resultados das propriedades rurais.
De acordo com o levantamento do projeto Custo de Produção Agropecuária (CPA), desenvolvido pelo Imea em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária de cria atingiu R$ 6,87 por quilo, registrando alta de 1,11% em relação ao trimestre anterior. O aumento foi impulsionado principalmente pelas despesas de custeio, que cresceram 2,06%. Entre os itens que mais pesaram no orçamento estão os gastos com manejo sanitário e reprodutivo, que dispararam 16,80%, e a aquisição de animais, com elevação de 5,31%. Esses custos envolvem etapas fundamentais da atividade, como os cuidados com a saúde do rebanho, a reprodução e a reposição de animais, exigindo maior planejamento financeiro dos produtores para preservar a eficiência das propriedades.
Custos em alta, margem em queda
O impacto das despesas mais elevadas ficou ainda mais evidente diante da queda de 2,12% no preço do bezerro de ano, principal produto comercializado pelos pecuaristas que trabalham com a fase de cria. Com isso, a margem operacional recuou de R$ 9,02 para R$ 8,60 por quilo, uma redução de 4,55% entre o segundo e o terceiro trimestres. Na prática, o produtor passou a enfrentar uma combinação desfavorável: precisa desembolsar mais para manter a atividade, enquanto recebe menos pelo animal comercializado. A situação exige atenção especial ao controle dos custos, ao desempenho reprodutivo das matrizes e ao planejamento das vendas. Embora a margem analisada não represente necessariamente o lucro líquido das fazendas, sua redução evidencia uma pressão sobre os resultados econômicos da atividade.
Apesar do aperto registrado no trimestre, o balanço anual ainda apresenta um cenário mais favorável aos pecuaristas mato-grossenses. Na comparação com o consolidado de 2025, o preço do bezerro acumula valorização de 16,82%, superando o aumento de 8,53% nos custos operacionais. Essa diferença permitiu que a margem permanecesse 24,39% acima do resultado do ano passado, quando o indicador estava em R$ 6,92 por quilo. A valorização foi favorecida pela menor oferta de animais para reposição, fator que contribuiu para sustentar os preços ao longo do período. Entretanto, a redução recente da margem acende um sinal de alerta para os produtores, mostrando que o desempenho positivo acumulado não elimina os riscos provocados pelo encarecimento da produção. O desafio da pecuária de Mato Grosso será equilibrar os custos crescentes com a produtividade do rebanho, evitando que a alta das despesas comprometa os ganhos conquistados ao longo do ano.