Superesportivo elétrico de Elon Musk acelera de 0 a 97 km/h em menos de 1,6 segundo, terá versão com tecnologia da SpaceX e desperta interesse de brasileiros dispostos a pagar uma fortuna pela exclusividade
Se o sonho de consumo já costuma custar caro, quando ele envolve um Tesla capaz de desafiar os limites da velocidade, o preço pode literalmente decolar. Três brasileiros reservaram o novo Tesla Roadster com a intenção de trazer o superesportivo elétrico ao país, mesmo sabendo que a conta final poderá chegar ao dobro do valor cobrado no exterior. O modelo, desenvolvido pela fabricante de Elon Musk, promete desempenho extraordinário e tecnologias que parecem ter saído diretamente de um filme de ficção científica. Entre as configurações anunciadas está uma versão capaz de realizar manobras aéreas, aproximando a fantasia dos carros voadores de Hollywood da engenharia automobilística. Entretanto, os compradores brasileiros optaram pela versão Performance, que mantém as quatro rodas no chão, mas promete uma aceleração impressionante: de zero a aproximadamente 97 km/h em menos de 1,6 segundo, segundo a Tesla. A escolha revela que, mesmo sem os recursos mais extravagantes, o Roadster já oferece atrativos suficientes para conquistar consumidores dispostos a enfrentar uma longa espera, custos elevados de importação e a incerteza sobre quando o veículo finalmente chegará às ruas.
Um dos interessados é Rafael Levy, engenheiro de tecnologia, entusiasta dos veículos elétricos e diretor da Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Elétricos (Abravei). Ele afirma ter realizado sua reserva em 2022 e calcula que importar o esportivo poderá custar aproximadamente o dobro do preço de venda nos Estados Unidos. A estimativa considera impostos, variação cambial, transporte internacional, homologação e outras despesas necessárias para colocar o automóvel legalmente em circulação no Brasil. O problema é que a Tesla ainda não divulgou o preço definitivo do novo Roadster, o que impede qualquer cálculo preciso sobre o investimento total. Atualmente, a fabricante exige um depósito de US$ 50 mil, equivalente a aproximadamente R$ 251 mil, para reservar a versão Performance. Já a configuração Thrust exige US$ 250 mil, cerca de R$ 1,26 milhão, apenas como valor de reserva. Nenhuma dessas quantias representa o preço integral do automóvel. Além dos três brasileiros que pretendem trazer o Roadster ao país, outros dois integrantes do mesmo grupo também fizeram reservas, mas planejam utilizar seus veículos no exterior. Todos escolheram a Performance. Segundo Levy, a apresentação mais recente do superesportivo despertou ainda mais interesse, levando outros quatro participantes do grupo a entrar na lista de interessados. Apesar dos depósitos, os compradores não receberam informações sobre suas posições na fila nem uma previsão individual de entrega.
Da pista de corrida à tecnologia espacial
O novo Tesla Roadster foi concebido para ultrapassar os limites tradicionais dos carros esportivos, combinando propulsão elétrica de alto desempenho, soluções aerodinâmicas avançadas e tecnologias inspiradas na indústria aeroespacial. A versão Performance, escolhida pelos brasileiros, terá capacidade para duas pessoas e utilizará aerodinâmica ativa associada a um sistema de sucção para aumentar a aderência ao asfalto. Essa tecnologia busca manter o veículo mais estável durante acelerações intensas e curvas de alta velocidade, aproximando seu comportamento do universo das competições automobilísticas. Acima dela estará a Thrust, equipada com propulsores auxiliares de gás frio desenvolvidos em colaboração com a SpaceX, empresa espacial também comandada por Elon Musk. Esses dispositivos prometem ampliar o desempenho do esportivo, embora os números específicos dessa configuração não possam ser automaticamente atribuídos à versão convencional. No topo da proposta futurista aparece a Rocket, configuração de apenas um lugar que, segundo a fabricante, poderá executar manobras aéreas. Essa versão dependerá de um convite pessoal de Musk e ainda não possui autorização para circular em vias públicas. A proposta remete às cenas de De Volta para o Futuro 2, em que carros atravessam os céus como se fossem avenidas. No entanto, é importante distinguir as demonstrações e promessas da fabricante das capacidades efetivamente comprovadas em um veículo de produção, já que o novo Roadster continua em desenvolvimento.
A expectativa em torno do esportivo é acompanhada por uma longa história de adiamentos. A segunda geração do Tesla Roadster foi apresentada em 2017, com entregas inicialmente prometidas para 2020, mas o cronograma sofreu sucessivas mudanças. Agora, a fabricante prevê iniciar a produção em 2028, sem assegurar uma data específica para que os compradores recebam seus veículos. As condições de reserva permitem solicitar o reembolso do depósito, mas não garantem prioridade conhecida na fila nem prazo de entrega. Para os brasileiros interessados, isso significa que o investimento envolve não apenas valores elevados, mas também a disposição de esperar por um automóvel cujo preço final e especificações definitivas ainda não foram anunciados. Mesmo assim, o interesse pelo modelo demonstra o poder de atração da Tesla entre consumidores que procuram exclusividade, inovação e desempenho extremo. Caso as promessas sejam confirmadas, o Roadster poderá estabelecer novos parâmetros entre os superesportivos elétricos, embora ainda precise superar etapas de desenvolvimento, produção e homologação. Enquanto Elon Musk promete aproximar os carros do universo dos foguetes, três brasileiros já garantiram lugar na fila para tentar trazer essa experiência ao país. O Roadster ainda não decolou comercialmente, mas uma coisa parece certa: para seus futuros proprietários, o preço da exclusividade poderá subir muito antes de o carro chegar à garagem.