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Terremoto de magnitude 7 sacode o Tibete e coloca a China em alerta

22/10/2026 • 14:00 • Por Leo Pinheiro

A região do Tibete está localizada em uma das zonas geológicas mais ativas do mundo, resultado do encontro entre as placas tectônicas Indiana e Eurasiática

Foto: Deepavali Gaind/Usnplash

Abalo atinge região montanhosa a cerca de 400 quilômetros de Lhasa, é sentido por milhares de pessoas e provoca temor de deslizamentos e novos tremores

A terra voltou a tremer com força no coração da Ásia, colocando o Tibete em alerta diante de mais um fenômeno natural de grandes proporções. Um terremoto de magnitude 7 atingiu o norte da região autônoma chinesa nesta quinta-feira, 22, às 22h33 no horário local, equivalente a 11h33 em Brasília. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o epicentro foi localizado nas proximidades de Nagqu, a aproximadamente 400 quilômetros de Lhasa, capital tibetana, em uma área montanhosa de difícil acesso. O tremor ocorreu a uma profundidade estimada de 18 quilômetros, enquanto o Centro Chinês de Redes Sísmicas (CENC) apontou 10 quilômetros. A diferença entre as medições é comum nas primeiras análises de grandes terremotos, quando os dados ainda estão sendo processados. Cerca de 132 mil pessoas podem ter sentido abalos de intensidade moderada a forte, conforme estimativas do USGS. Apesar da potência do fenômeno, não havia confirmação imediata de mortos, feridos ou danos materiais, situação que exige cautela devido ao isolamento geográfico de diversas comunidades tibetanas.

O terremoto atingiu uma das regiões mais elevadas do planeta, onde o relevo acidentado, as grandes distâncias e as condições climáticas podem dificultar a avaliação dos impactos. O epicentro ficou em uma área do Planalto Tibetano situada a aproximadamente 4.864 metros de altitude, segundo informações divulgadas pelas autoridades chinesas. A intensidade do abalo provocou preocupação com a estabilidade de encostas, construções e vias de acesso, especialmente em localidades próximas ao ponto de origem do tremor. Aproximadamente 40 minutos depois, foi registrado outro abalo, de magnitude 5,2, nas proximidades, aumentando a atenção para possíveis réplicas. Terremotos secundários são comuns depois de eventos de grande magnitude e podem representar riscos adicionais para estruturas eventualmente comprometidas. Embora o norte do Tibete seja relativamente pouco povoado, comunidades dispersas e povoados situados em áreas remotas podem enfrentar dificuldades para comunicar danos ou solicitar ajuda. Por esse motivo, a ausência inicial de informações sobre vítimas não significa necessariamente que o terremoto tenha ocorrido sem consequências.

O Himalaia volta a tremer

A região do Tibete está localizada em uma das zonas geológicas mais ativas do mundo, resultado do encontro entre as placas tectônicas Indiana e Eurasiática. O movimento contínuo dessas enormes estruturas da crosta terrestre, responsável pela formação da cordilheira do Himalaia, provoca uma intensa acumulação de energia subterrânea que pode ser liberada repentinamente na forma de terremotos. O abalo desta quinta-feira foi apontado como o mais forte registrado na China desde janeiro de 2024, reforçando a preocupação com a vulnerabilidade sísmica do território. A história recente demonstra os riscos enfrentados pela população local. Em 2010, um terremoto de magnitude 7,1 atingiu Yushu, na província chinesa de Qinghai, deixando aproximadamente 2.700 mortos e centenas de desaparecidos. Em janeiro de 2025, outro forte tremor atingiu a região de Tingri, no Tibete, provocando 126 mortes. Esses episódios mostram que, embora os terremotos sejam fenômenos naturais recorrentes na região, suas consequências podem ser agravadas pela fragilidade das construções, pelas condições do terreno e pela dificuldade de acesso das equipes de emergência.

O novo terremoto ocorre em um contexto de preocupação com desastres naturais no Himalaia e em áreas próximas à fronteira entre China e Nepal, que enfrentaram enchentes e deslizamentos devastadores nos últimos meses. Entretanto, não há evidências de que esses episódios anteriores tenham provocado o abalo desta quinta-feira, cuja origem está associada à atividade tectônica da região. Organismos internacionais de monitoramento de desastres acompanham a situação e avaliam os riscos humanitários decorrentes da magnitude do fenômeno e da exposição das comunidades próximas. Entre os principais perigos estão deslizamentos de terra, bloqueios de estradas, danos estruturais e a possibilidade de novos tremores. A confirmação de vítimas e prejuízos dependerá de levantamentos realizados pelas autoridades e da chegada de informações das localidades mais isoladas. O episódio reforça a importância de sistemas de alerta, construções resistentes e planos de resposta rápida em regiões sujeitas a terremotos de grande intensidade. No alto do Planalto Tibetano, onde montanhas gigantescas convivem com forças geológicas ainda maiores, a natureza voltou a demonstrar seu poder. Agora, a principal preocupação é descobrir a extensão dos impactos e garantir que as comunidades atingidas recebam assistência caso seja necessária.

Leo Pinheiro