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Economia

Gigante do varejo encerra 28 lojas e corta mais de 6 mil postos de trabalho

22/10/2026 • 11:39 • Por Felipe Masid

O Grupo Mateus passou por uma ampla reestruturação que resultou no fechamento de 28 estabelecimentos

Foto: Divulgação

Grupo Mateus reduz quadro de funcionários em seis estados e reorganiza operações para conter despesas e recuperar rentabilidade

O caixa continua movimentado, mas a conta do emprego ficou mais apertada para milhares de trabalhadores. Considerado um dos maiores grupos supermercadistas do Brasil, o Grupo Mateus passou por uma ampla reestruturação que resultou no fechamento de 28 estabelecimentos, e na redução de 6.673 funcionários em seu quadro de pessoal. As mudanças atingiram principalmente operações nas regiões Norte e Nordeste, incluindo Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia. A medida integra uma estratégia de reorganização administrativa e financeira, com foco na redução de custos, no aumento da produtividade e na concentração de investimentos em negócios considerados mais rentáveis. Apesar dos cortes, a companhia mantém suas atividades e continua entre as três maiores empresas do setor supermercadista brasileiro.

A redução no número de trabalhadores ocorreu entre dezembro de 2025 e março de 2026, período em que o quadro de funcionários passou de aproximadamente 47,9 mil para 41,2 mil pessoas, uma diminuição de 13,9%. O número representa a redução líquida de empregados e não corresponde necessariamente ao total de demissões realizadas, já que considera a diferença entre admissões e desligamentos. Paralelamente, o grupo encerrou, ao longo de 2025, 28 unidades da bandeira Eletro Mateus, especializada na comercialização de móveis, eletrodomésticos e produtos eletrônicos. Somente no último trimestre daquele ano, 13 lojas foram fechadas no Pará. A reestruturação também alcançou outras 20 unidades do varejo alimentar, que tiveram seus departamentos de eletroeletrônicos desativados. Segundo as informações divulgadas, a empresa busca direcionar recursos para operações com maior potencial de retorno financeiro.

Reestruturação bilionária

As mudanças ocorrem em meio a um cenário de pressão sobre os resultados financeiros da companhia. No segundo trimestre de 2026, o Grupo Mateus registrou lucro líquido de R$ 236,8 milhões, queda de aproximadamente 39,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o resultado havia alcançado cerca de R$ 390 milhões. No acumulado do primeiro semestre, o lucro ficou em R$ 449,7 milhões, retração de 32,1%. Apesar disso, a receita líquida apresentou crescimento de 12,2% entre abril e junho, chegando a R$ 9,85 bilhões, impulsionada principalmente pela incorporação de operações do Novo Atacarejo e pela abertura de novas unidades. O contraste entre o aumento do faturamento e a redução dos lucros evidencia os desafios enfrentados pela empresa para equilibrar expansão, despesas operacionais e rentabilidade. Outro indicador negativo foi a queda de 8% nas vendas das mesmas lojas no segundo trimestre, reforçando a necessidade de ajustes na estrutura comercial.

Fundado em 1986, a partir de uma pequena mercearia em Balsas, no Maranhão, o Grupo Mateus consolidou sua presença no mercado nacional e alcançou faturamento de aproximadamente R$ 43,55 bilhões em 2025, ocupando a terceira posição no Ranking ABRAS 2026, atrás de Carrefour e Assaí. Atualmente, a companhia reúne marcas como Mateus Supermercados, Mix Mateus e Eletro Mateus, além de participação em outros negócios do varejo e atacado. Mesmo diante do fechamento de unidades e da redução do quadro de funcionários, o grupo mantém investimentos em novos estabelecimentos e busca fortalecer sua atuação nos mercados considerados estratégicos. A reorganização representa uma mudança na política de crescimento da empresa, que passa a priorizar a eficiência operacional e a recuperação das margens de lucro. Entretanto, os efeitos sociais da redução de pessoal também chamam a atenção, especialmente nas regiões onde a rede possui forte presença econômica e emprega milhares de trabalhadores.

Felipe Masid