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Marido de prefeita é preso em operação contra fraude bilionária em São Paulo

16/10/2026 • 09:10 • Por Redação NTD

Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi preso na manhã desta sexta-feira

Foto: Divulgação

Secretário de Governo de Bauru é detido pelo Gaeco em investigação sobre licitação de R$ 5,2 bilhões; agentes fazem buscas na residência da prefeita e na sede do Executivo municipal

O cavalo entrou na Prefeitura, e a investigação chegou ao coração do poder municipal. O secretário de Governo de Bauru, no interior de São Paulo, Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi preso na manhã desta sexta-feira, 16, durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público paulista. A prisão ocorreu em meio a uma nova ofensiva contra suspeitas de irregularidades em uma licitação bilionária para a gestão do lixo da cidade. Agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão na residência da prefeita, localizada em um condomínio na zona sul do município, e nas dependências da Prefeitura de Bauru.

 

A operação é um desdobramento da Operação Cavalo de Troia, deflagrada inicialmente em setembro, quando sete pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento em um esquema de direcionamento de uma concorrência pública estimada em R$ 5,2 bilhões, com previsão de concessão dos serviços de resíduos sólidos por 30 anos. Entre os investigados estavam a então secretária municipal de Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, e o executivo Hamilton Libório Agle, da empresa Estre Ambiental. Segundo as investigações, mensagens trocadas entre os dois indicariam uma atuação coordenada para favorecer interesses privados dentro da administração pública. O processo licitatório chegou a ser suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e posteriormente foi cancelado.

 

Escândalo no poder

A nova fase da investigação amplia a pressão sobre a administração da prefeita Suéllen Rosim, que também enfrenta questionamentos políticos relacionados à concessão dos serviços de limpeza urbana. A prisão de seu marido ocorre justamente no dia em que a chefe do Executivo municipal tem depoimento previsto, às 14h00, na Comissão Processante do Lixo, instalada na Câmara Municipal para apurar questões envolvendo o contrato. Na primeira etapa da operação, os investigadores encontraram R$ 240 mil em dinheiro vivo na residência do então secretário de Negócios Jurídicos, posteriormente exonerado. O nome Cavalo de Troia faz referência à suspeita de que pessoas ligadas a interesses empresariais atuavam dentro da estrutura municipal para influenciar decisões administrativas.

Em nota, a Prefeitura de Bauru confirmou a presença dos investigadores nas dependências do Executivo e informou que, até o momento da manifestação, não havia sido oficialmente comunicada sobre o objeto da nova ação. A administração declarou estar à disposição das autoridades para fornecer documentos e prestar esclarecimentos. Na fase anterior, a prefeitura também afirmou que não havia elementos conhecidos apontando participação da prefeita nas irregularidades investigadas. A prisão de Renato Purini não representa condenação, e as responsabilidades individuais ainda deverão ser esclarecidas no decorrer das investigações. O caso coloca novamente sob os holofotes a fiscalização dos contratos públicos e a necessidade de transparência na utilização de recursos que envolvem cifras bilionárias.