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Esporte

Flamengo e Fluminense vão ao STJ para barrar Vasco x Boca e colocam semifinal em risco

13/10/2026 • 20:18 • Por Leo Pinheiro

O Maracanã se transformou novamente no centro de uma disputa que envolve interesses esportivos, contratuais, operacionais e de segurança pública

Foto: Divulgação/GOVERJ

Consórcio Fla-Flu recorre ao Superior Tribunal de Justiça após derrota no Rio; Conmebol alerta que nova proibição poderá levar confronto da Sul-Americana para o Paraguai

A batalha pelo Maracanã ultrapassou as fronteiras do Rio de Janeiro, chegou a Brasília e agora ameaça até tirar do Brasil uma das semifinais mais aguardadas da Copa Sul-Americana. Inconformados com a decisão que autorizou o Vasco a enfrentar o Boca Juniors no estádio, Flamengo e Fluminense, por meio do Consórcio Fla-Flu, ingressaram nesta terça-feira, 13, com uma ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar impedir a realização da partida no maior palco do futebol carioca. A ofensiva judicial aconteceu poucas horas depois de o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) restabelecer o direito do Vasco de utilizar o Maracanã no confronto marcado para 20 de outubro, às 21h30, pelo jogo de volta da semifinal continental. O novo recurso amplia uma disputa que já provocou decisões favoráveis, suspensões, reviravoltas e insegurança entre milhares de torcedores. A situação ganhou contornos ainda mais preocupantes depois que a Conmebol comunicou ao Vasco e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que uma nova decisão judicial impedindo o uso do Maracanã poderá provocar a transferência da partida para o Paraguai. Isso significa que a insistência do consórcio em contestar a utilização do estádio poderá resultar em uma consequência muito maior do que a simples mudança de endereço dentro do Rio: o clube cruzmaltino corre o risco de perder a oportunidade de disputar a semifinal diante de sua torcida no Brasil. O episódio acontece justamente quando os ingressos para o confronto já estão esgotados, aumentando a apreensão dos torcedores que se organizaram para acompanhar a partida. Com o Vasco tentando preservar seu mando de campo e Flamengo e Fluminense recorrendo à Justiça para contestar a utilização do estádio, o Maracanã se transformou novamente no centro de uma disputa que envolve interesses esportivos, contratuais, operacionais, e de segurança pública.

A nova iniciativa do Consórcio Fla-Flu foi apresentada ao STJ por meio de um pedido de suspensão de segurança, instrumento jurídico utilizado para tentar interromper os efeitos de decisões judiciais em determinadas situações que envolvam interesses públicos relevantes. O caso deverá ser analisado pelo presidente da Corte, ministro Luis Felipe Salomão, a quem caberá examinar os argumentos apresentados pela concessionária. A ação busca reverter a decisão proferida na manhã desta terça-feira pelo desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, que restabeleceu a determinação para que o Maracanã fosse disponibilizado ao Vasco. O novo recurso representa mais uma etapa de uma disputa iniciada após a resistência da administradora em ceder o estádio para a semifinal contra os argentinos. Flamengo e Fluminense sustentam que a realização do confronto poderá provocar dificuldades operacionais, comprometer as condições do gramado e gerar riscos relacionados à concentração de torcedores na região. Um dos principais argumentos apresentados é a existência de uma partida de basquete entre Flamengo e Botafogo no Maracanãzinho, programada para a mesma noite do jogo de futebol. A concessionária considera que a circulação simultânea de diferentes torcidas pode exigir cuidados adicionais de segurança. O Vasco, por outro lado, argumenta que a dimensão de uma semifinal continental, a quantidade de ingressos comercializados e a estrutura necessária para receber os torcedores tornam o Maracanã a alternativa mais adequada. O clube também questionou a postura do consórcio durante o processo, chegando a apontar má-fé na resistência à realização da partida. A controvérsia já havia produzido decisões contraditórias no TJRJ: na sexta-feira, 9, o desembargador Marco Antônio Ibrahim autorizou a utilização do estádio; no sábado, 10, a desembargadora Suely Lopes Magalhães suspendeu essa autorização; e, nesta terça-feira, uma nova decisão restabeleceu o direito do Vasco. Agora, a entrada do STJ no caso abre outra frente de discussão e mantém a incerteza sobre o desfecho da disputa.

Risco de jogo no Paraguai

O alerta da Conmebol transformou a disputa judicial em uma preocupação internacional e colocou em risco o planejamento de uma partida que já mobilizou dezenas de milhares de torcedores.  A entidade sul-americana comunicou ao Vasco e à CBF que não pretende conviver com novas mudanças de última hora sobre o local do confronto. Caso uma decisão judicial volte a impedir a utilização do Maracanã, a partida poderá ser transferida para o Paraguai, retirando do clube carioca a possibilidade de receber o Boca Juniors em território brasileiro. A medida teria consequências para a logística das equipes, o deslocamento dos torcedores, a organização da imprensa e os serviços contratados para o evento. O cenário se torna ainda mais delicado porque todos os ingressos colocados à venda para a semifinal no Maracanã já foram comercializados, demonstrando a enorme procura pela partida e a expectativa da torcida cruzmaltina. Uma eventual transferência internacional exigiria uma reorganização complexa, envolvendo transporte, hospedagem, credenciamento, segurança e possíveis procedimentos de reembolso. Para o Vasco, a ameaça representa um problema esportivo importante, já que disputar a semifinal diante de seus torcedores é considerado um fator relevante para o confronto decisivo. A defesa cruzmaltina também recebeu apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro, que apresentou argumentos relacionados à segurança pública e à capacidade do estádio. O procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, sustentou que o Maracanã oferece melhores condições de infraestrutura, mobilidade e organização para um evento dessa dimensão. O entendimento levou em consideração avaliações de órgãos de segurança, incluindo o Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe), que apontou o Maracanã como alternativa preferencial. Esses elementos foram considerados na decisão que restabeleceu a autorização para o jogo. A concessionária, entretanto, mantém sua posição e agora busca no STJ uma nova avaliação dos riscos que afirma existir. O resultado é uma situação incomum: enquanto o Vasco se prepara para enfrentar um adversário argentino em uma semifinal continental, o local da partida de volta continua sendo objeto de disputa entre clubes brasileiros e diferentes instâncias do Judiciário.

A insistência de Flamengo e Fluminense em contestar judicialmente a realização de Vasco x Boca Juniors no Maracanã reacende uma discussão antiga sobre o acesso dos clubes cariocas ao estádio administrado pelo consórcio. A concessionária possui responsabilidades contratuais relacionadas à manutenção, à operação e à preservação do complexo esportivo, mas suas decisões sobre a utilização do espaço por outras equipes também podem ser questionadas judicialmente. No caso da semifinal, a controvérsia ultrapassou os argumentos sobre calendário e gramado, envolvendo a segurança de milhares de pessoas e a possibilidade de uma partida internacional deixar o país. Para o Vasco, o novo recurso representa mais um obstáculo depois de uma sequência de decisões favoráveis e contrárias que dificultaram o planejamento do confronto. Para Flamengo e Fluminense, a ação no STJ é uma tentativa de obter uma revisão da autorização concedida pela Justiça fluminense, com base nas preocupações apresentadas pela administradora. O fato concreto é que o jogo permanece autorizado para o Maracanã neste momento, mas a nova ofensiva judicial poderá modificar novamente o cenário caso o STJ acolha o pedido da concessionária. A situação também coloca as autoridades esportivas diante da necessidade de garantir previsibilidade e segurança para a realização de uma competição internacional. A primeira partida entre Vasco e Boca Juniors acontece às 21h30 desta terça-feira, 13, na Bombonera, em Buenos Aires, enquanto o confronto de volta está previsto para a próxima terça-feira, 20. Até lá, a definição do estádio continuará sendo acompanhada com atenção pelos clubes, pela Conmebol e pelos torcedores. Depois de vencer mais uma batalha no Tribunal de Justiça do Rio, o Vasco agora precisa acompanhar uma nova ofensiva do Consórcio Fla-Flu no STJ, em uma disputa que pode terminar com o Maracanã liberado ou, no cenário mais delicado, com a semifinal transferida para fora do Brasil. A bola ainda nem rolou no confronto decisivo, mas a disputa pelo estádio já se tornou um dos capítulos mais tensos da temporada do futebol carioca.

Leo Pinheiro