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Mãe descobre mensagens no celular e denuncia vizinho por abuso da filha de 13 anos

13/10/2026 • 04:39 • Por Redação NTD

O caso foi registrado depois que a mãe encontrou mensagens trocadas entre a menina e o suspeito, identificando conversas que indicavam uma aproximação incompatível com a idade da filha

Foto: Zulfugar Karimov/Unplash

Homem de 22 anos é suspeito de cometer estupro de vulnerável contra adolescente em Cuiabá; após denúncia, policiais foram até a residência do investigado, mas ele fugiu pelos fundos

Uma descoberta no celular da filha de apenas 13 anos revelou uma situação que levou uma mãe a procurar a polícia e denunciar o próprio vizinho por suspeita de violência sexual. O homem, de 22 anos, é investigado por supostamente manter contato amoroso com a adolescente havia cerca de dois meses e praticar atos de natureza sexual contra ela, no bairro Três Barras, em Cuiabá (MT). O caso foi registrado na noite de domingo, 11, depois que a mãe encontrou mensagens trocadas entre a menina e o suspeito, identificando conversas que indicavam uma aproximação incompatível com a idade da filha. Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o vizinho teria iniciado o contato por meio de mensagens com investidas amorosas, estabelecendo gradualmente uma relação de confiança com a adolescente. A situação se tornou ainda mais preocupante quando a mãe descobriu que os contatos não teriam ficado restritos ao ambiente virtual. Conforme o relato apresentado às autoridades, o suspeito teria convencido a menina a frequentar sua residência em momentos nos quais os pais dela estavam ausentes, circunstância que motivou a denúncia e a mobilização policial. O episódio passou a ser tratado como suspeita de estupro de vulnerável, crime previsto na legislação brasileira para situações que envolvam atos sexuais com menores de 14 anos, independentemente de eventual alegação de consentimento.

De acordo com as informações registradas pela Polícia Militar, a mãe percebeu que a filha recebia mensagens frequentes do vizinho e decidiu verificar o conteúdo das conversas. Ao questionar a adolescente, tomou conhecimento de encontros que teriam ocorrido na residência do suspeito durante os dois meses anteriores. A menina relatou que o homem a beijava na boca e tocava suas partes íntimas, embora tenha negado a ocorrência de relação sexual. Ela também informou que os dois trocavam mensagens e fotografias, mas que as imagens não possuíam conteúdo íntimo. Mesmo diante dessa declaração, a mãe demonstrou preocupação com a possibilidade de terem ocorrido outras situações de violência que a adolescente ainda não tivesse conseguido relatar, seja por medo, constrangimento ou dificuldade de compreender a gravidade dos acontecimentos. A denúncia foi formalizada para que os fatos fossem apurados pelas autoridades competentes, com atenção especial à proteção da menor. O caso chama atenção pela proximidade entre o suspeito e a família, já que o homem morava na vizinhança e, segundo o relato, aproveitava períodos em que os responsáveis estavam fora de casa para receber a adolescente. A investigação deverá esclarecer como os encontros começaram, em quais circunstâncias ocorreram e se existem outros elementos capazes de confirmar os atos relatados pela menina, preservando sua identidade e evitando exposição desnecessária durante os procedimentos policiais.

Suspeito foge da polícia

Após receberem a denúncia, policiais militares se deslocaram até a residência do homem de 22 anos, mas ele teria fugido pelos fundos do imóvel antes de ser localizado pela equipe. Os agentes realizaram buscas nas proximidades, porém não conseguiram encontrá-lo durante a ocorrência. Segundo informações fornecidas pela mãe da adolescente, o suspeito possui antecedentes policiais, declaração que também deverá ser verificada pelas autoridades responsáveis pela investigação. Diante da gravidade dos relatos, mãe e filha foram encaminhadas ao Plantão Especializado de Violência Doméstica e Sexual contra a Mulher de Cuiabá, onde seriam adotadas as providências legais cabíveis. O atendimento especializado é particularmente importante em casos envolvendo crianças e adolescentes, pois permite que a apuração seja conduzida com procedimentos destinados a reduzir a exposição da vítima e evitar que ela precise repetir desnecessariamente relatos sobre possíveis situações traumáticas. A Polícia Civil poderá analisar as mensagens encontradas no aparelho celular, identificar eventuais registros dos encontros e reunir outros elementos que ajudem a esclarecer os fatos. Até a publicação das informações iniciais, o homem não havia sido localizado pela Polícia Militar, e não havia confirmação de prisão ou de conclusão das investigações. A apuração também deverá observar os direitos da adolescente e a necessidade de preservar sua integridade física e emocional durante todas as etapas do procedimento.

O caso será analisado à luz do artigo 217-A do Código Penal, que estabelece o crime de estupro de vulnerável quando há conjunção carnal ou outro ato libidinoso com pessoa menor de 14 anos, prevendo responsabilização criminal mesmo quando não ocorre relação sexual com penetração. Isso significa que a negativa da adolescente quanto à existência de relação sexual não afasta, por si só, a possibilidade de enquadramento dos atos relatados nesse dispositivo legal. A legislação brasileira estabelece proteção especial para crianças e adolescentes nessa faixa etária, considerando juridicamente irrelevante eventual consentimento para a prática de atos sexuais. A análise do caso dependerá da confirmação das circunstâncias descritas no boletim de ocorrência, da coleta de provas e da atuação das autoridades policiais e judiciais. Especialistas em proteção infantojuvenil destacam que situações dessa natureza exigem cuidado na abordagem das vítimas, especialmente quando o suspeito pertence ao círculo de convivência familiar ou comunitária. A descoberta feita pela mãe também evidencia a importância de manter canais de diálogo com crianças e adolescentes sobre situações de risco, abordagens inadequadas e comportamentos de adultos que ultrapassem os limites de uma convivência segura. A prioridade das autoridades será esclarecer os fatos, garantir a proteção da adolescente e apurar a eventual responsabilidade criminal do suspeito, respeitando o devido processo legal. Enquanto as investigações prosseguem, o episódio reforça a necessidade de atenção aos sinais de aproximações abusivas e de comunicação imediata aos órgãos de proteção sempre que houver suspeita de violência sexual contra menores.