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Trump e Putin põem diesel na fogueira e acordo milionário tenta frear disparada dos combustíveis

12/10/2026 • 12:43 • Por Leo Pinheiro

Donald Trump e Vladimir Putin decidiram colocar o diesel no centro de uma negociação que mistura interesses econômicos, disputas diplomáticas e pressões eleitorais

Foto: Divulgação/ White House

Entendimento prevê liberação de até 4,8 milhões de toneladas de diesel russo para aliviar os preços internacionais, mas provoca reação da Ucrânia e levanta dúvidas sobre sanções contra Moscou

Em meio à escalada dos preços dos combustíveis e às tensões provocadas pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, Donald Trump e Vladimir Putin decidiram colocar o diesel no centro de uma negociação que mistura interesses econômicos, disputas diplomáticas e pressões eleitorais. O Presidente dos Estados Unidos anunciou um acordo com o líder russo para ampliar o fornecimento de combustível aos mercados norte-americano e internacional, em uma tentativa de conter a alta dos preços e reduzir os custos de transporte e produção. Segundo Trump, o entendimento poderá disponibilizar até 4,8 milhões de toneladas de diesel russo, volume considerado relevante em um momento de restrições na oferta mundial. O anúncio ocorre a menos de um mês das eleições legislativas norte-americanas, marcadas para 3 de novembro, quando os eleitores decidirão a composição do Congresso. A iniciativa também chama atenção pela aproximação comercial entre Washington e Moscou, apesar das sanções econômicas impostas à Rússia desde a invasão da Ucrânia, em 2022. Para o governo norte-americano, a prioridade declarada é aliviar o peso dos combustíveis sobre consumidores e empresas, especialmente agricultores, pecuaristas e caminhoneiros, diretamente afetados pelo encarecimento do diesel.

O entendimento anunciado por Trump estabelece um cronograma inicial de fornecimento que prevê a liberação imediata de 300 mil toneladas métricas de diesel, equivalentes a aproximadamente 2,25 milhões de barris, seguida de outras 500 mil toneladas em novembro e mais 1 milhão de toneladas no período seguinte. Segundo informações divulgadas sobre a negociação, Moscou poderá disponibilizar ainda outros 3 milhões de toneladas, dependendo da capacidade operacional das refinarias russas. Parte dessas instalações sofreu danos provocados por ataques ucranianos, o que representa um obstáculo ao cumprimento integral das entregas. Para viabilizar as importações, restringidas pelas sanções americanas, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma autorização permitindo determinadas compras de combustível russo até 7 de abril. Trump classificou sua conversa com Putin como altamente bem-sucedida e afirmou que a redução dos preços da energia está entre suas principais prioridades. Entretanto, não foram divulgados todos os termos comerciais do entendimento, os compradores envolvidos nem documentos que comprovem o início efetivo das entregas, deixando dúvidas sobre a velocidade com que o combustível poderá chegar aos mercados consumidores.

Energia em meio à guerra

A negociação ocorre em um cenário internacional marcado por dificuldades de abastecimento e forte pressão sobre os preços da energia. Nos Estados Unidos, o diesel chegou a US$ 6,28 por galão, segundo dados divulgados em 8 de outubro pela associação automobilística AAA, refletindo os efeitos das interrupções no fornecimento internacional e dos problemas enfrentados pelas rotas de transporte de petróleo e derivados. A guerra no Oriente Médio e as restrições à circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz, uma das principais passagens marítimas para o comércio mundial de energia, contribuíram para reduzir a disponibilidade de combustíveis. Como o diesel é utilizado no transporte rodoviário de cargas, na produção agrícola, na navegação e em atividades industriais, seu encarecimento pode atingir diferentes setores da economia e pressionar os preços dos alimentos e de outros produtos. Trump aposta que o aumento da oferta russa ajude a aliviar esse cenário, mas a efetividade da medida dependerá da regularidade dos embarques, das condições das refinarias e dos custos logísticos. O acordo também representa uma mudança significativa na relação energética entre Washington e Moscou, já que os Estados Unidos vinham utilizando restrições comerciais e financeiras como instrumentos de pressão sobre o governo russo. O enviado de Putin, Kirill Dmitriev, elogiou publicamente a cooperação entre os países, enquanto representantes norte-americanos, ucranianos e europeus participavam de reuniões em Miami para discutir os rumos da guerra na Ucrânia.

A aproximação entre Trump e Putin provocou uma reação imediata do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que criticou a iniciativa por considerar que a flexibilização das restrições econômicas pode beneficiar Moscou enquanto a guerra continua. Em manifestação publicada na rede social X, Zelensky afirmou que concessões ao Presidente russo não representam um caminho para a paz e alertou para o risco de que novas receitas provenientes do comércio de energia fortaleçam a capacidade financeira da Rússia. A controvérsia evidencia o desafio enfrentado por Washington ao tentar conciliar duas prioridades: reduzir os custos de energia para a população americana e manter a pressão econômica sobre o governo russo. O anúncio também possui uma dimensão eleitoral, uma vez que o aumento do custo de vida se tornou uma preocupação importante para os eleitores norte-americanos às vésperas da renovação do Congresso. Embora a entrada de milhões de toneladas de diesel possa contribuir para ampliar a oferta internacional, a redução dos preços nos postos ainda não está garantida, pois depende de fatores como a situação dos conflitos, a disponibilidade das refinarias e o funcionamento das rotas comerciais. Assim, o entendimento anunciado entre Trump e Putin abre uma nova frente de cooperação energética entre duas potências envolvidas em profundas divergências geopolíticas, mas deixa uma questão central em aberto: se o combustível russo conseguirá chegar ao mercado em quantidade suficiente para produzir o alívio econômico prometido pela Casa Branca.

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