Notícia Todo Dia NTD
Bichos & etc

Brasil tem pets pra cachorro, e mercado de 166,8 milhões animais domésticos deve faturar R$ 81 bilhões em 2026

10/10/2026 • 23:54 • Por João Vieira

Os cães continuam sendo os grandes protagonistas desse universo, com 62,5 milhões de animais espalhados pelo território nacional, mantendo a liderança entre as espécies de estimação; em segundo lugar aparecem as aves ornamentais, com 44,3 milhões, superando os felinos com 33,3 milhões de indivíduos

Foto: Ivana Cajina/Unsplash

Terceiro país com mais animais de estimação do mundo, Brasil registra crescimento do setor pet, impulsionado por rações, serviços veterinários e uma população de cães e gatos cada vez maior

O amor pelos animais de estimação está movimentando uma verdadeira fortuna no Brasil. Entre latidos, miados, penas e aquários, o país já reúne impressionantes 166,8 milhões de pets e ocupa a terceira posição no ranking mundial de população de animais de estimação, atrás apenas de China e Estados Unidos. E essa paixão também aparece nos números da economia: o mercado brasileiro de produtos e serviços para animais deverá faturar R$ 81 bilhões em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet). O valor representa um crescimento estimado de 4,35% em relação aos R$ 77,96 bilhões registrados em 2025, consolidando o setor como uma atividade econômica de grande importância no país. Os dados fazem parte do estudo Faturamento e População Pet no Mundo – 2026, elaborado com base no desempenho do mercado durante o primeiro semestre deste ano. A expansão reflete não apenas o aumento do número de animais domésticos, mas também a crescente variedade de produtos e serviços oferecidos aos tutores, desde alimentos especializados e medicamentos até tratamentos veterinários, acessórios e cuidados com higiene. A população brasileira de pets cresceu 2,33% em relação a 2024, demonstrando que os animais continuam conquistando espaço nos lares e no orçamento das famílias. O fenômeno revela uma transformação na relação entre pessoas e seus companheiros de quatro patas, que passaram a receber atenção cada vez maior em questões relacionadas à alimentação, à saúde e ao bem-estar. Ao mesmo tempo, a movimentação bilionária atrai investimentos, amplia oportunidades comerciais e fortalece uma cadeia produtiva que envolve fabricantes, distribuidores, comerciantes e profissionais especializados.

Os cães continuam sendo os grandes protagonistas desse universo, com 62,5 milhões de animais espalhados pelo território nacional, mantendo a liderança entre as espécies de estimação. Em segundo lugar aparecem as aves ornamentais, com 44,3 milhões, seguidas pelos gatos, que já somam 33,3 milhões. Os peixes representam outros 23,6 milhões de animais, enquanto répteis e pequenos mamíferos respondem por aproximadamente 3,1 milhões. Apesar da liderança canina, os gatos estão conquistando espaço em ritmo acelerado nos lares brasileiros. Segundo o levantamento, enquanto a população mundial de felinos cresceu 2,3% em 2024, o Brasil registrou uma expansão de 4,5%, praticamente o dobro da média internacional. A distribuição regional também mostra diferenças importantes. O Sudeste concentra 48,2% de todos os animais de estimação do país, seguido pelo Nordeste, com 23%, e pelo Sul, com 17,8%. O Centro-Oeste reúne 7,2%, enquanto o Norte responde por 3,8% da população pet brasileira. A concentração nas regiões mais populosas ajuda a explicar a presença de grandes redes de lojas, clínicas e hospitais veterinários nos principais centros urbanos, embora pequenos estabelecimentos continuem desempenhando papel fundamental na atividade. A crescente importância dos animais na rotina familiar também estimula a procura por produtos diferenciados, alimentos adequados a cada fase da vida e acompanhamento veterinário preventivo. O resultado é um mercado que acompanha mudanças de comportamento e transforma o cuidado com os pets em uma atividade econômica cada vez mais diversificada, alcançando desde estabelecimentos de bairro até grandes indústrias com atuação internacional.

Uma fortuna de quatro patas

A alimentação representa a maior fatia desse mercado bilionário. O segmento de pet food deverá movimentar aproximadamente R$ 42,9 bilhões em 2026, equivalente a 52,8% de todo o faturamento previsto para o setor. O número demonstra a importância das rações e dos alimentos destinados aos animais de estimação, produtos de consumo recorrente que sustentam grande parte da atividade econômica. Na sequência aparece o comércio de animais, com previsão de receita de R$ 8,9 bilhões, seguido pelo segmento veterinário, denominado Pet Vet, que deverá alcançar R$ 8,6 bilhões, crescimento estimado de 5,11%. A participação dos estabelecimentos comerciais também chama atenção. Pequenos e médios pet shops concentram 48% do faturamento nacional, movimentando aproximadamente R$ 39 bilhões, o que mostra a força dos negócios de bairro mesmo diante da expansão das grandes redes e das vendas pela internet. Clínicas e hospitais veterinários aparecem em seguida, com previsão de R$ 14 bilhões, equivalentes a 17,3% do mercado. Outros canais incluem comércio eletrônico, supermercados, megastores e serviços especializados. A presença de diferentes modelos de negócio demonstra como o setor se tornou abrangente, atendendo desde necessidades básicas de alimentação e higiene até procedimentos médicos e produtos de maior valor agregado. O crescimento também alcança o comércio exterior. As exportações brasileiras de produtos para animais aumentaram 12% no primeiro semestre de 2026, com os alimentos representando 89% dos produtos enviados ao exterior, seguidos pelos itens de cuidados pet, com 9%, e pelos animais vivos, com 1,5%. Áustria, Estados Unidos e China concentraram aproximadamente 70% do valor exportado, reforçando a presença de empresas brasileiras em mercados internacionais e abrindo novas possibilidades para a indústria nacional.

Apesar das cifras expressivas, o mercado pet brasileiro enfrenta uma desaceleração no ritmo de crescimento e obstáculos que preocupam empresários e fabricantes. Segundo a Abempet, o setor chegou a registrar expansão de 26,4% em 2021, mas esse ritmo diminuiu nos anos seguintes, alcançando 3,4% em 2025. Para 2026, a previsão de crescimento de 4,35% indica uma recuperação moderada, ainda distante das taxas observadas no início da década. Entre os principais desafios apontados pela associação estão a inflação, as oscilações cambiais e a elevada carga tributária. A valorização do dólar pode encarecer ingredientes utilizados na fabricação de alimentos para animais, pressionando os custos de produção e, consequentemente, os preços pagos pelos consumidores. A entidade também afirma que a tributação sobre determinados produtos do setor pode chegar a 51%, dependendo do estado, percentual que considera elevado em comparação com outros mercados internacionais. Nos Estados Unidos, segundo a associação, as alíquotas variam entre 8% e 10%, enquanto na União Europeia ficam entre 15% e 18%, embora os sistemas tributários apresentem diferenças que dificultam comparações diretas. Para Caio Villela, CEO da Abempet, os indicadores demonstram que o setor continua avançando em faturamento, população animal e exportações, mesmo diante das dificuldades econômicas. A associação defende mudanças tributárias que possam estimular a atividade, ampliar a competitividade e favorecer o consumo. Ao mesmo tempo, o crescimento da população pet reforça a necessidade de políticas de bem-estar animal, acesso a serviços veterinários, vacinação, identificação e guarda responsável. Com 166,8 milhões de animais de estimação e uma receita projetada de R$ 81 bilhões, o Brasil confirma que o carinho pelos bichinhos ultrapassou os limites dos lares e se transformou em uma das grandes forças do mercado de consumo nacional. Afinal, quando o assunto é pet, o país demonstra que o amor pelos animais também movimenta bilhões.

https://www.linkedin.com/in/ntdbr/