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Esporte

Fla-Flu vence batalha judicial e tira Vasco x Boca Juniors do Maracanã

10/10/2026 • 15:58 • Por Leo Pinheiro

A decisão, assinada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, primeira vice-presidente do tribunal, representa uma reviravolta no impasse que envolve o clube cruzmaltino e a concessionária responsável pela administração do estádio

Foto: Divulgação/ Fla-Flu Serviços

Tribunal de Justiça derruba liminar favorável ao Cruzmaltino, acolhe recurso do consórcio administrado por Flamengo e Fluminense e coloca em dúvida o estádio da semifinal da Sul-Americana, mesmo após a venda de milhares de ingressos

A bola ainda nem rolou, mas o confronto entre Vasco e Boca Juniors já protagoniza uma verdadeira batalha fora das quatro linhas, com decisões judiciais, disputas entre rivais e milhares de torcedores mergulhados na incerteza. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) suspendeu, neste sábado, 10, a liminar que obrigava o Consórcio Fla-Flu a liberar o Maracanã para a partida entre Vasco da Gama e Boca Juniors, marcada para 20 de outubro, às 21h30, pela semifinal da Copa Sul-Americana. A decisão, assinada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, primeira vice-presidente do tribunal, representa uma reviravolta no impasse que envolve o clube cruzmaltino e a concessionária responsável pela administração do estádio, controlada por Flamengo e Fluminense. Apenas um dia antes, na sexta-feira, 9, o Vasco havia comemorado uma vitória judicial depois que o desembargador Marco Antônio Ibrahim determinou a liberação do Maracanã, considerando especialmente as recomendações de segurança apresentadas pela Polícia Militar e pelo Ministério Público. A decisão levou o clube a anunciar oficialmente a realização do confronto no estádio e comunicar a definição à Conmebol, que chegou a confirmar o local da partida. Entretanto, a reação do consórcio Fla-Flu mudou novamente o cenário e devolveu ao Vasco o problema de encontrar uma arena capaz de receber um dos jogos mais importantes de sua temporada. Com mais de 35 mil ingressos comercializados, segundo informações divulgadas pelo próprio clube, a mudança acrescenta uma preocupação logística e financeira à disputa jurídica.

A nova decisão judicial acolheu a contestação apresentada pela concessionária Fla-Flu Serviços S.A., e questionou a competência do desembargador Marco Antônio Ibrahim para modificar um entendimento anteriormente estabelecido no processo. Segundo a desembargadora Suely Lopes Magalhães, a decisão favorável ao Vasco havia sido concedida durante a ausência do relator original, Alexandre de Carvalho Mesquita, que estava de férias, sem que estivessem presentes as condições processuais necessárias para rever o posicionamento anterior. Com isso, a magistrada restabeleceu a situação jurídica que impedia o clube cruzmaltino de utilizar o Maracanã, retirando os efeitos da autorização concedida na sexta-feira. Outro argumento relevante foi a preocupação com a segurança pública. Na mesma data prevista para Vasco e Boca Juniors, o Maracanãzinho, localizado ao lado do estádio, receberá uma partida de basquete entre Flamengo e Botafogo, válida pelo Novo Basquete Brasil (NBB). Para a desembargadora, a realização simultânea dos eventos poderia provocar o encontro de torcidas rivais na região, aumentando o risco de confrontos e dificultando a atuação das forças de segurança. A avaliação contrasta com o entendimento apresentado na decisão anterior, que havia considerado o Maracanã a alternativa mais adequada para receber o confronto internacional, especialmente diante da expectativa de grande público e da necessidade de organizar o acesso dos torcedores argentinos. A divergência entre os entendimentos judiciais transformou a escolha do estádio em uma disputa que envolve competência processual, segurança pública e os direitos de utilização de uma das principais arenas esportivas do país.

Maracanã em disputa

O conflito entre Vasco e o consórcio administrado por Flamengo e Fluminense começou antes mesmo da sequência de decisões judiciais. A concessionária recusou a solicitação cruzmaltina para utilizar o estádio, alegando principalmente a necessidade de preservar as condições do gramado diante de um calendário considerado excessivamente apertado. Segundo a administração do Maracanã, a arena está programada para receber cinco partidas em apenas 12 dias, incluindo Flamengo x Fluminense, em 11 de outubro; Fluminense x Palmeiras, no dia 14; Fluminense x Santos, no dia 18; Vasco x Boca Juniors, inicialmente previsto para o dia 20; e Flamengo x Estudiantes, no dia 22. A sequência significaria três jogos em um intervalo de apenas cinco dias, situação que, segundo o consórcio, comprometeria o planejamento de manutenção e recuperação do campo. Em manifestação pública, a Fla-Flu Serviços também contestou a interpretação de que a recusa ao Vasco pudesse estar relacionada a rivalidades entre os clubes, afirmando que suas decisões são fundamentadas em critérios técnicos e operacionais. O desembargador Marco Antônio Ibrahim, ao conceder a liminar posteriormente suspensa, havia adotado entendimento diferente, considerando que as condições de segurança dos torcedores deveriam prevalecer sobre as preocupações relacionadas ao gramado. O magistrado também mencionou o histórico de conflitos envolvendo o Vasco e a administração do estádio, interpretação rejeitada pela concessionária por considerar que não existiam provas de motivação pessoal nas negativas. O resultado é um confronto que ultrapassa a rivalidade esportiva e coloca em discussão os limites da administração privada de um estádio público, as obrigações contratuais da concessionária e a possibilidade de intervenção judicial para garantir sua utilização por outros clubes. Enquanto Flamengo e Fluminense defendem a preservação do calendário e das condições operacionais da arena, o Vasco sustenta a necessidade de contar com uma estrutura compatível com a dimensão de uma semifinal internacional.

Com a suspensão da liminar, o Vasco volta a enfrentar uma corrida contra o tempo para definir onde receberá o Boca Juniors, enquanto seu departamento jurídico avalia novas medidas para tentar reverter o impedimento. São Januário aparece como alternativa pouco provável, principalmente pelas limitações de capacidade e pelas preocupações relacionadas à segurança de um confronto internacional que deverá atrair grande número de torcedores. O Estádio Nilton Santos, utilizado pelo Botafogo, surge como uma possibilidade, embora a mudança envolva questões operacionais, disponibilidade da arena e adaptações na organização da partida. A situação é ainda mais delicada porque o Vasco já havia comunicado à Conmebol que o confronto aconteceria no Maracanã e iniciado a comercialização de ingressos com base nessa definição. Uma eventual transferência para um estádio de menor capacidade poderá exigir revisão dos setores disponibilizados, redistribuição de torcedores e até procedimentos de cancelamento ou reembolso, dependendo da solução adotada pelo clube. O impasse também evidencia a dificuldade de conciliar interesses esportivos, compromissos comerciais e decisões judiciais em um calendário cada vez mais congestionado. Para o Vasco, a disputa representa muito mais do que a escolha de um campo: envolve a possibilidade de contar com o apoio de uma grande torcida em um confronto decisivo pela classificação à final da Copa Sul-Americana. Para Flamengo e Fluminense, a questão está diretamente relacionada à gestão de um estádio cuja conservação e operação são de responsabilidade da concessionária. Até que uma nova decisão seja anunciada ou uma alternativa seja oficialmente confirmada, permanece a incerteza sobre o palco da semifinal. No momento, o Consórcio Fla-Flu venceu mais uma etapa da batalha judicial, enquanto o Vasco, que havia comemorado a liberação do Maracanã na sexta-feira, voltou a ficar sem a garantia de disputar a partida no estádio.

Leo Pinheiro