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Aos 82 anos, José Araújo celebra 53 anos de carreira com homenagem no MAM

06/10/2026 • 18:21 • Por João Vieira

José Araújo com o diretor e amigo Marton Olympio

Foto: Divulgação

Ator e cantor octagenário será celebrado por amigos e pelo público em noite gratuita na Cinemateca, com exibição de filmes que revisitam sua trajetória e mostram a vitalidade de um artista ainda em plena atividade

O aplauso não vai esperar a cortina baixar. Aos 82 anos e com 53 anos de carreira, o ator e cantor José Araújo recebe nesta terça-feira (6) uma homenagem que transforma reconhecimento em presença, memória em encontro e uma extensa trajetória artística em motivo de celebração. A partir das 19h00, amigos, admiradores e público se reúnem na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) para uma noite idealizada pelo cineasta Daniel Lobo sob uma premissa tão simples quanto significativa: “homenagem é pra ser feita em vida”. Com entrada franca, o encontro terá a exibição dos curtas-metragens Memória Com Vista Pro Mar, de Marton Olympio, e Atenção Primária, de Daniel Lobo, ambos com participação do homenageado.

A história de José Araújo com os palcos começou a ser desenhada ainda em 1968, quando chamou atenção cantando no programa de calouros de Haroldo de Andrade, na TV Excelsior. Pouco depois, um convite da cantora Keila Veríssimo abriu outra porta: integrar a montagem de Orfeu Negro, de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, dirigida por Haroldo de Oliveira no Clube Renascença. Foi ali que o cantor começou a dar lugar também ao ator. A carreira profissional nas artes cênicas ganhou força em 1973, no chamado “Rena”, em uma geração que reuniu nomes como Haroldo de Oliveira, Dom Filó, Paulo Moura, Zózimo Bulbul, Antonio Pompêo e Zezé Motta. Ao longo das décadas seguintes, Araújo construiu no teatro uma trajetória marcada não apenas pela arte, mas também por trabalhos relacionados à cultura, à política e à luta racial.

Da memória para o futuro

A Televisão e o Cinema ampliaram o alcance de uma carreira que atravessou diferentes gerações. José Araújo participou de produções como Abolição, Amar é Para os Fortes, Santos Dumont e Carga Pesada, além das novelas Chica da Silva, Sinhá Moça e Joia Rara. Nas telas do Cinema, trabalhou sob a direção de nomes como Cacá Diegues, Walter Lima Júnior, Lázaro Ramos e Antonio Pitanga. Mais de cinco décadas depois do início da caminhada profissional, Araújo continua em atividade e conquistando reconhecimento. Em 2025, protagonizou Memória Com Vista Pro Mar, trabalho que lhe rendeu prêmios de melhor ator em festivais nacionais e internacionais. Para Daniel Lobo, celebrar o artista agora significa olhar para o passado sem transformá-lo apenas em retrospectiva. “É também celebrar o futuro de um artista de 82 anos que não para de trabalhar, e que continua a nos surpreender com sua vitalidade e talento”, afirma o cineasta.

A homenagem acontece às 19h00, na Cinemateca do MAM, na Avenida Infante Dom Henrique, 85, no Parque do Flamengo, e terá entrada gratuita, sujeita à lotação do espaço, que comporta 186 pessoas. A classificação é livre. Ao colocar lado a lado filmes, amigos, público e mais de meio século de história, a noite pretende fazer mais do que recordar personagens e trabalhos marcantes: quer reconhecer o artista enquanto ele continua escrevendo novos capítulos de sua trajetória. Depois de passar pelo rádio e pela televisão, cantar, ocupar os palcos e construir uma extensa filmografia, José Araújo chega aos 82 anos mostrando que a melhor homenagem não é aquela que encerra uma história, mas a que aplaude quem ainda tem muito a contar.

João Vieira
Colunista Oficial João Vieira

Diretor de Redação da empresa NTDBR - Notícia Todo Dia