Governador supera a marca de 60% dos votos válidos, derrota Wellington Fagundes com ampla vantagem e conquista nas urnas um mandato próprio à frente do Palácio Paiaguás
Não foi preciso esperar pelo segundo turno: Otaviano Pivetta (Republicanos) transformou a vantagem construída na campanha em uma vitória contundente nas urnas e garantiu neste domingo, 4, sua permanência no comando de Mato Grosso. Com mais de 60% dos votos válidos durante a apuração, o governador abriu larga distância sobre seus adversários e assegurou matematicamente a eleição ainda na primeira rodada. O principal concorrente, o senador Wellington Fagundes (PL), aparecia pouco acima dos 23%, enquanto Doutora Natasha (PSD) ocupava a terceira posição, com cerca de 15%. O resultado não apenas entrega a Pivetta um mandato próprio de quatro anos no Palácio Paiaguás, como confirma nas urnas a força do projeto político do grupo que governa Mato Grosso desde 2019.
Pivetta chegou à eleição em uma situação peculiar: embora já estivesse sentado na cadeira de governador, era a primeira vez que disputava diretamente nas urnas o comando do Executivo estadual. Ele havia sido eleito vice-governador de Mauro Mendes (União Brasil) em 2018 e novamente em 2022, assumindo definitivamente o Palácio Paiaguás em março deste ano, depois que Mendes renunciou para concorrer ao Senado. A campanha do Republicanos foi construída justamente sobre a ideia de continuidade da administração estadual, enquanto Wellington Fagundes buscava apresentar uma alternativa ao grupo governista. Na reta final, levantamentos já apontavam vantagem de Pivetta, embora algumas pesquisas mostrassem um cenário mais competitivo. A Quaest divulgada antes da votação, por exemplo, indicava o governador com 54% dos votos válidos contra 28% de Wellington. Nas urnas, a distância acabou se mostrando ainda maior.
Vitória sem prorrogação
O resultado mantém ainda uma tradição eleitoral de Mato Grosso: desde a implantação do sistema de dois turnos para os governos estaduais, o estado nunca precisou realizar uma segunda votação para escolher seu governador. Entre 1990 e 2022, foram nove eleições consecutivas resolvidas já no primeiro turno, e Pivetta ampliou essa sequência em 2026. A vitória também coroa uma longa trajetória política construída no estado. Nascido em Caiçara, no Rio Grande do Sul, ele se mudou para Mato Grosso em 1982 e consolidou sua atuação empresarial nos setores agrícola e industrial. Na política, comandou Lucas do Rio Verde por três mandatos, exerceu uma passagem pela Assembleia Legislativa e depois chegou ao governo estadual como vice de Mauro Mendes. Agora, aos 67 anos, deixa de ser apenas o sucessor do antigo titular e recebe diretamente das urnas a autorização para comandar Mato Grosso pelos próximos quatro anos.
A dimensão da vantagem transforma a eleição deste domingo também em uma demonstração de força política para o grupo governista. Pivetta não apenas venceu: ultrapassou com folga a maioria absoluta necessária para liquidar a disputa no primeiro turno, deixando Wellington Fagundes distante apesar da longa experiência eleitoral do senador, que já exerceu seis mandatos como deputado federal e está em seu segundo período no Senado. Com o resultado, o governador ganha legitimidade própria para iniciar o próximo ciclo administrativo e deixa para trás a condição de vice que assumiu o posto após a saída de Mauro Mendes. Se em março Pivetta recebeu as chaves do Palácio Paiaguás pela linha sucessória, neste domingo recebeu algo politicamente ainda mais importante: o aval direto das urnas. Mato Grosso decidiu sem prorrogação e entregou a ele mais quatro anos no comando do estado.