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Esporte

Vasco leva Fla-Flu à Justiça e briga pelo Maracanã contra o Boca

01/10/2026 • 19:21 • Por Leo Pinheiro

A gestão do Consórcio Maracanã é liderada por Flamengo e Fluminense

Foto: Divulgação/CRF

Cruz-Maltino pede tutela de urgência após terceira negativa no ano e alega que jogar no estádio é necessário para cumprir exigências da Conmebol na semifinal da Sul-Americana

A semifinal contra o Boca Juniors ainda nem começou, mas o Vasco já entrou em campo, desta vez, de terno, papelada, e diante da Justiça. O clube carioca acionou nesta quinta-feira, 1, a Fla-Flu Serviços S.A., administradora do Maracanã, para tentar garantir que a partida de volta contra os argentinos, pela Copa Sul-Americana, seja disputada no estádio. O pedido de tutela de urgência foi encaminhado à 2ª Vara Cível da Comarca da Capital depois de o Consórcio Maracanã, cuja gestão é liderada por Flamengo e Fluminense, negar a solicitação formal apresentada pelo Cruz-Maltino. A partida está marcada para 20 de outubro, enquanto o confronto de ida será disputado uma semana antes, dia 13, na Bombonera. Com a Conmebol exigindo a definição do palco com antecedência e São Januário abaixo da capacidade mínima estabelecida para esta fase do torneio, a discussão sobre onde o Vasco receberá o Boca deixou os bastidores do futebol e ganhou os tribunais.

A administração do Maracanã justificou a negativa pelas condições do gramado, e pela intensa sequência de partidas programadas para o estádio. Foi a terceira vez somente neste ano que um pedido do Vasco para utilizar o local foi recusado: anteriormente, o clube tentou mandar no Maracanã confrontos contra Vitória e Palmeiras, ambos pela Copa do Brasil. Desta vez, porém, a diretoria vascaína sustenta que a escolha não representa simplesmente uma preferência por um estádio maior. Pelas regras da Conmebol, arenas utilizadas a partir das semifinais da Sul-Americana precisam comportar pelo menos 30 mil espectadores, exigência que São Januário, com capacidade inferior a esse número, não atende atualmente. O Vasco argumenta ainda que o Maracanã oferece condições adequadas de segurança e questiona os critérios utilizados para impedir sua utilização, lembrando que Flamengo e Fluminense já disputaram partidas no estádio com intervalos semelhantes ou até menores entre os jogos.

Clássico agora é nos tribunais

Um dos principais pontos apresentados pelo Vasco é justamente a sequência recente do Maracanã. A partida contra o Boca está prevista para 20 de outubro. Dois dias antes, Fluminense e Santos têm confronto marcado pelo Campeonato Brasileiro e, dois dias depois, Flamengo e Estudiantes se enfrentam pela semifinal da Libertadores. O consórcio aponta esse calendário como uma das razões para preservar o gramado. O Cruz-Maltino, entretanto, argumenta que o estádio já recebeu em 2026 nove jogos com intervalo de até 48 horas, incluindo uma sequência de três partidas em apenas quatro dias. Há ainda uma disputa sobre o alcance do edital de concessão do Maracanã e de um acordo firmado em 2025 entre Vasco, Flamengo e Fluminense. O documento prevê quatro partidas do Vasco por ano no estádio, além dos confrontos contra os dois rivais, mas estabelece que eventuais negativas podem ser fundamentadas em critérios técnicos e operacionais. Flamengo e Fluminense, por sua vez, sustentam que esse memorando não vincula juridicamente a concessionária porque não foi assinado formalmente por ela.

Enquanto trava a batalha pelo Maracanã, o Vasco mantém outra porta aberta: tentar uma autorização excepcional da Conmebol para enfrentar o Boca em São Januário. A diretoria já se reuniu com autoridades de segurança e com a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro para discutir a possibilidade, que dependeria também da ampliação do espaço destinado à torcida visitante e, principalmente, de uma flexibilização da entidade sul-americana em relação à capacidade mínima de 30 mil lugares. O Estádio Nilton Santos surge como outra alternativa, mas o Vasco argumenta judicialmente que atuar em gramado sintético poderia representar uma “desvantagem esportiva”, já que a equipe não disputou partidas da atual Sul-Americana nesse tipo de piso. Com isso, o duelo contra o Boca ganhou uma disputa paralela antes mesmo de a bola rolar: enquanto Pedrinho tenta manter São Januário como possibilidade e busca o Maracanã pela via judicial, Flamengo e Fluminense defendem os critérios técnicos utilizados pela administração do estádio. Agora, antes de saber quem avançará à final da Sul-Americana, o Vasco precisa descobrir onde poderá jogar a partida que decidirá a vaga.

Leo Pinheiro