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Esporte

Fecha a fronteira: Nova regra de estrangeiros aperta Flamengo, Vasco e Botafogo

22/09/2026 • 09:17 • Por Leo Pinheiro

A CBF justifica a mudança pela preocupação com a diminuição do espaço destinado aos jogadores brasileiros mais jovens

Foto: Divulgação/ Thiago Ribeiro/Staff Images

CBF reduzirá gradualmente o limite de jogadores de outros países no Brasileirão; cinco clubes já têm mais estrangeiros do que o permitido atualmente e dez estariam acima do teto previsto para 2027 

O futebol brasileiro abriu as portas para jogadores estrangeiros nos últimos anos, mas agora começa a fazer o caminho inverso. Os clubes das Séries A e B aprovaram uma proposta da CBF para reduzir gradualmente o número de atletas de outras nacionalidades que podem ser relacionados por partida no Campeonato Brasileiro. O limite atual de nove cairá para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. Se a regra do próximo ano entrasse em vigor imediatamente e os elencos permanecessem como estão, dez equipes da Série A já teriam jogadores estrangeiros excedentes. A situação mais apertada é a de Vasco, que possue 12 estrangeiros, e Athletico-PR e Botafogo que contam com 11 atletas do exterior cada. Flamengo e Grêmio aparecem logo atrás, com dez. Na sequência estão Fluminense, Bahia, Cruzeiro, Atlético-MG e Internacional, todos com nove. Ou seja: metade dos clubes que atualmente disputam a elite teria de administrar quem ficaria fora das partidas caso mantivesse exatamente a composição atual dos elencos em 2027.

A mudança afeta diretamente o planejamento de equipes que recorreram com frequência ao mercado sul-americano e internacional para reforçar seus grupos. Atualmente, mesmo com o teto de nove jogadores relacionados por partida, cinco clubes já possuem mais estrangeiros do que podem levar simultaneamente para um jogo do Brasileirão: Athletico, Botafogo e Vasco têm 11, enquanto Flamengo e Grêmio contam com dez. Outros cinco estão exatamente no limite atual. No caso do Flamengo, a situação poderia ter sido aliviada com a transferência do equatoriano Gonzalo Plata para o Dínamo Moscou, mas o negócio acabou cancelado depois que o clube russo informou que o atacante não havia sido aprovado nos exames médicos. Plata retornou ao Rio e foi reintegrado, fazendo o Rubro-Negro voltar a contar com dez estrangeiros. O Flamengo, ao lado do Bahia, votou contra a redução aprovada na reunião. O presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, pretendia discutir conjuntamente uma eventual alteração no limite de partidas que um atleta pode disputar antes de ficar impedido de defender outro clube na mesma edição da Série A, mas a CBF informou que esse assunto será tratado posteriormente.

Gringo vai sobrar

O aperto tende a aumentar ano após ano. O Palmeiras, por exemplo, possui oito estrangeiros considerados pela regra e estaria exatamente no novo teto de 2027 caso não promovesse mudanças no elenco. Andreas Pereira, nascido na Bélgica, e Maurício, que defende a seleção paraguaia, não entram nessa contagem por terem cidadania brasileira. A situação, porém, mudaria com as reduções posteriores: mantendo os mesmos jogadores, o clube passaria a ter excedentes quando o limite caísse para sete e, depois, para seis e cinco. No cenário atual, segundo o levantamento, somente Mirassol, Chapecoense e Remo já possuem uma quantidade de estrangeiros compatível até mesmo com o teto final previsto para 2030: o Mirassol não conta com nenhum jogador estrangeiro, enquanto Chapecoense e Remo têm cinco ou menos. A redução progressiva foi escolhida justamente para evitar uma mudança brusca nos contratos e permitir que os clubes adaptem seus elencos ao longo das próximas janelas de transferências.

A CBF justifica a mudança pela preocupação com a diminuição do espaço destinado aos jogadores brasileiros mais jovens. Segundo dados apresentados pela entidade aos clubes, atletas nacionais com menos de 23 anos recebem atualmente apenas 11,5% dos minutos disputados no Brasileirão, percentual inferior ao observado em algumas das principais ligas europeias. A redução dos estrangeiros virá acompanhada de mudanças nas regras de inscrição: o limite total permanecerá em 50 jogadores, mas haverá uma divisão entre listas, com espaço reservado para atletas sub-23. A decisão também interrompe um movimento de flexibilização que durou uma década. Em 2014, o teto de estrangeiros passou de três para cinco; em 2023, aumentou de cinco para sete; e, em 2024, chegou aos atuais nove. Agora, a trajetória será invertida até alcançar cinco em 2030. Para clubes que internacionalizaram seus elencos, portanto, a nova regra transforma as próximas janelas em uma questão de matemática: se hoje já há gringo sobrando na súmula, nos próximos anos a disputa por cada vaga estrangeira ficará ainda mais apertada.

Leo Pinheiro