GSI cercará sede da Presidência enquanto STF decide se abre investigação contra ministro; operação terá reforço policial, bloqueios, inteligência e monitoramento por drones
As grades voltarão à paisagem do poder em Brasília; desta vez, antes mesmo de qualquer manifestação ganhar as ruas. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) instalará barreiras em frente ao Palácio do Planalto nesta terça-feira, 15, quando o Supremo Tribunal Federal realizará uma sessão extraordinária para analisar se deve ser aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua suposta relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A decisão de cercar a sede da Presidência foi tomada diante da possibilidade de manifestações nas proximidades da Praça dos Três Poderes e integra uma operação que mobilizará diferentes órgãos de segurança. O julgamento está marcado para as 10h00 e ocorre em meio a uma crise sem precedentes recentes dentro do próprio Supremo, desencadeada pela divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro e pelo embate entre integrantes da Corte em torno das investigações do caso Master. O que será decidido dentro do plenário, portanto, já provoca efeitos do lado de fora: antes de os ministros começarem a votar, Brasília estará preparada para um dia de tensão.
O esquema não ficará restrito ao Palácio do Planalto. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, a Polícia Judicial do STF, o GSI, o Comando Militar do Planalto e outros órgãos participam do planejamento para controlar a circulação na região. Visitantes e manifestantes não poderão chegar à Praça dos Três Poderes, e está prevista uma linha de contenção com gradis e policiais na Esplanada dos Ministérios. Também haverá monitoramento por drones, compartilhamento de informações de inteligência, avaliação permanente dos perímetros e aumento do efetivo. Dentro do Supremo, o controle será igualmente rigoroso: o acesso ao plenário ficará limitado a pessoas previamente credenciadas, haverá passagem por detectores de metais e raio X e os celulares deverão permanecer desligados e lacrados em sacolas de segurança durante a sessão. O aparato mostra que as autoridades tratam o julgamento não apenas como uma questão jurídica delicada, mas como um acontecimento com potencial de mobilização política fora do tribunal.
Julgamento sob vigilância
No centro de toda a operação está uma decisão inédita: o plenário do STF analisará a possibilidade de abertura de uma investigação formal contra um de seus próprios ministros. O caso surgiu a partir de material produzido pela Polícia Federal envolvendo mensagens e contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro. O presidente do Supremo, Edson Fachin, assumiu a condução do processo e convocou a sessão extraordinária para que o colegiado decida se existem elementos que justifiquem o prosseguimento da apuração ou se o procedimento deve ser arquivado. A sessão deverá começar com a leitura do relatório, seguida da possibilidade de manifestação da Procuradoria-Geral da República e das demais etapas previstas no rito definido pela Corte. Fachin será o primeiro a votar, e os demais ministros se manifestarão na sequência. A análise ainda poderá ser interrompida caso algum integrante do tribunal peça vista. O julgamento será público e terá transmissão ao vivo, ampliando ainda mais a exposição de uma crise que ultrapassou os corredores do Supremo e passou a ocupar o centro do debate político nacional.
A colocação das grades também carrega um simbolismo inevitável em uma praça que reúne as sedes dos três Poderes e que permanece marcada pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. Embora não exista até o momento confirmação de que manifestações de grande porte ocorrerão nesta terça-feira, o protocolo foi desenhado justamente para permitir uma reação rápida caso grupos se concentrem na região. Dependendo do cenário, poderão ocorrer bloqueios adicionais e novas restrições de circulação pela Esplanada. A preocupação das autoridades cresce porque a situação de Moraes se tornou combustível para setores da oposição, enquanto o Supremo tenta administrar internamente uma crise que envolve acusações, questionamentos sobre procedimentos investigativos e divergências entre ministros. Assim, uma sessão destinada formalmente a decidir se há base para investigar um integrante da Corte acabou colocando toda a região sob vigilância especial. Antes mesmo de saber se Moraes ficará ou não sob investigação, o poder em Brasília já estará protegido por grades; uma imagem que traduz, do lado de fora do tribunal, o tamanho da tensão instalada dentro dele.