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Hoje é dia do funk, bebê

13/09/2026 10:17 Por Waleria de Carvalho

Buchecha e MC Koringa representantes do funk que derruba muros e atravessa gerações

Celebrado hoje, Dia do Funk reforça a trajetória de um movimento que nasceu nas periferias, conquistou o mundo e virou símbolo de diversidade, resistência e liberdade

O som grave bate, o corpo responde e diferentes gerações reconhecem uma história que não coube dentro dos limites onde começou. Celebrado este ano em 13 de setembro, o Dia do Funk coloca em evidência um gênero que saiu das periferias do Rio de Janeiro, enfrentou preconceitos e perseguições e conquistou espaço muito além dos bailes. Instituída pela Lei Ordinária 7.489/2016, a data representa não apenas uma homenagem ao ritmo, mas o reconhecimento de uma manifestação que deixou marcas na música, na dança, na moda, na linguagem, e no comportamento. Para Buchecha, um dos nomes que ajudaram a escrever essa trajetória, a celebração precisa ir além do calendário. “Considero importante ter um dia comemorativo ao gênero na agenda, mas, mais do que isso, eu espero que o funk tenha ainda mais reconhecimento e ativos favoráveis ao segmento para os artistas e para todos os funkeiros que vivenciam de fato a música, a dança, o ritmo e os bailes”, afirma.

Se nasceu periférico, o funk há muito deixou de ter endereço único. Buchecha define o gênero como uma expressão “do povo, sem fronteiras”, capaz de romper barreiras raciais e sociais e permanecer vivo justamente por atravessar gerações sem abandonar as próprias raízes. Para MC Koringa, ter uma data oficial significa reconhecer um movimento periférico que conquistou o Brasil e chegou a diversos países. “Fica a lição de luta e perseverança por quem plantou, acreditou e lutou por um ritmo que surgiu sendo discriminado e que hoje é aclamado. Um ritmo que acolheu e que foi acolhido. Um ritmo que salvou vidas, revelou talentos e continua inspirando as próximas gerações”, destaca. Uma permanência que, segundo Buchecha, diferencia o funk de tendências passageiras: “O funk representa a liberdade do indivíduo, independentemente de classe social e de quaisquer outros muros. A moda tem por natureza passar e depois ser esquecida e trocada por outra, mas o funk permanece firme e forte com suas raízes e com seus adeptos apaixonados”.

O baile não para

É justamente no baile que essa história ganha corpo, dança e memória. E será com essa proposta que Buchecha e MC Koringa se encontrarão em 31 de outubro, no Qualistage, na Barra da Tijuca, para a estreia de “O Baile é Nosso”, projeto que reunirá grandes nomes do funk e convidados especiais. A ideia é transformar a noite em um encontro entre gerações e recuperar a dimensão coletiva que sempre acompanhou o gênero. Buchecha ressalta que ainda são raros os eventos de grande porte dedicados exclusivamente ao funk, o que amplia o significado do projeto. “Estamos reunindo todo mundo para curtir, ser feliz de fato e sonhar com a gente”, diz. MC Koringa também aponta a diversidade como uma das forças atuais do movimento: em uma sociedade marcada pela mistura de tendências, o batidão carioca continua aproximando públicos, culturas e diferentes camadas sociais, preservando a memória de quem ajudou a abrir caminho enquanto dialoga com quem chegou depois.

Do preconceito ao reconhecimento oficial, dos bailes das comunidades aos grandes palcos, o funk construiu sua trajetória sem pedir licença para existir. Hoje, sua influência ultrapassa a música e se manifesta na estética, na dança, nas expressões populares e na própria identidade cultural do Rio de Janeiro. O Dia do Funk celebra, portanto, muito mais que um gênero musical: celebra artistas, DJs, dançarinos, produtores e milhões de pessoas que transformaram o batidão em linguagem de pertencimento e liberdade. “O Baile é Nosso” surge como extensão dessa história, reunindo passado e presente para lembrar que o funk pode mudar de batida, incorporar novas tendências e conquistar outros territórios, mas continua carregando a memória de suas origens. Porque gerações passam, o som se reinventa, mas o baile — e o legado — continuam.

Waleria de Carvalho

@waleria_de_carvalho

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