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Política

Flávio abre vantagem em SP, e Minas vira campo minado para Lula

12/09/2026 18:23 Por Leo Pinheiro

Flavio vence a corrida em São Paulo, Rio de Janeiro, e cresce em Minas Gerais

Imagem: Arte: Lagoa Comunicação

Datafolha aponta senador com 47% contra 42% do Presidente entre paulistas; em território mineiro, petista tem 46% e Flávio, 45%, em empate técnico

Se São Paulo e Minas Gerais funcionam como dois dos principais termômetros da corrida pelo Palácio do Planalto, os números do Datafolha mostram uma eleição em que cada território pode fazer diferença na conta final. Pesquisa divulgada neste sábado, 12, aponta Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo em uma eventual disputa de segundo turno. O senador registra 47% das intenções de voto, contra 42% do Presidente, uma diferença de cinco pontos percentuais que supera a margem de erro de dois pontos prevista para o levantamento paulista. O resultado ganha dimensão ainda maior pelo tamanho do eleitorado do estado: São Paulo é o maior colégio eleitoral brasileiro e concentra uma parcela decisiva dos votos nacionais, o que transforma qualquer vantagem consistente no estado em ativo importante para uma candidatura presidencial. Em Minas Gerais, segundo maior eleitorado do país e tradicionalmente tratado como uma espécie de síntese política do Brasil, a situação é bem diferente. Lula aparece com 46% e Flávio com 45%, uma diferença de apenas um ponto que configura empate técnico diante da margem de erro de três pontos percentuais. Assim, enquanto o senador encontra em São Paulo uma vantagem importante para construir sua campanha, o Presidente enfrenta em Minas uma batalha praticamente voto a voto.

O desempenho paulista revela ainda uma estabilidade que pode ser importante para Flávio Bolsonaro. Os 47% a 42% registrados no eventual segundo turno são os mesmos percentuais encontrados pelo Datafolha em agosto, indicando que, ao menos entre os dois levantamentos, a distância entre os adversários permaneceu intacta. No cenário de primeiro turno, entretanto, o quadro é muito mais equilibrado: Flávio aparece com 35%, contra 33% de Lula, deixando os dois tecnicamente empatados. Mais atrás estão Augusto Cury, com 7%, Renan Santos, com 6%, e Ronaldo Caiado, com 4%, percentuais que mostram a dificuldade dos demais candidatos em romper a polarização entre petistas e bolsonaristas no estado. A força eleitoral do campo político de Flávio em São Paulo também aparece na disputa estadual. O governador Tarcísio de Freitas, aliado do senador e uma das principais lideranças da direita brasileira, lidera a corrida pela reeleição com 49% das intenções de voto, diante de 29% de Fernando Haddad. Considerando apenas os votos válidos, Tarcísio alcança 56%, índice que, se confirmado nas urnas, seria suficiente para encerrar a eleição no primeiro turno. Esse desempenho pode representar uma vantagem adicional para Flávio, já que uma campanha estadual competitiva e liderada por um aliado tem potencial para fortalecer palanques, mobilizar prefeitos e lideranças locais e ampliar a presença do candidato presidencial no interior e na região metropolitana.

Minas no meio do caminho

Se São Paulo oferece um cenário mais favorável a Flávio, Minas Gerais surge como um dos territórios mais imprevisíveis e estratégicos da eleição presidencial. Lula registra 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto o senador aparece com 45%. Mais importante do que a diferença de apenas um ponto é o movimento registrado desde a pesquisa anterior: em agosto, Lula já tinha os mesmos 46%, enquanto Flávio marcava 42%. O Presidente, portanto, permaneceu estável, ao passo que o adversário oscilou três pontos para cima e encostou no petista. A aproximação ganha significado especial pela história eleitoral mineira. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro no estado por uma margem mínima, de cerca de 0,4 ponto percentual, correspondente a aproximadamente 49,6 mil votos. Naquela eleição, o resultado mineiro acompanhou o vencedor nacional, repetindo uma característica observada em sucessivas disputas presidenciais. O estado reúne grandes centros urbanos, cidades médias, regiões industriais, áreas rurais e municípios com perfis socioeconômicos bastante distintos, diversidade que ajuda a explicar por que seu comportamento eleitoral costuma ser acompanhado com atenção pelas campanhas. Para Lula, manter competitividade em Minas é fundamental para compensar eventuais desvantagens em outros grandes colégios; para Flávio, transformar um estado que deu vitória ao petista em 2022 em uma disputa equilibrada já representa uma mudança relevante no tabuleiro.

O retrato regional do Datafolha mostra, ao mesmo tempo, que a corrida entre Lula e Flávio Bolsonaro não segue uma tendência uniforme pelo país e deverá ser marcada por fortes diferenças entre os estados. No Rio de Janeiro, reduto político da família Bolsonaro, Flávio aparece com 49% contra 41% de Lula em uma eventual disputa direta. No Distrito Federal, a vantagem é ainda maior, de 51% a 39%. O movimento se inverte de maneira expressiva em Pernambuco, onde o Presidente alcança 61% das intenções de voto diante de 30% do senador, confirmando a força histórica do petismo no Nordeste. A pesquisa foi realizada presencialmente entre os dias 8 e 10 de setembro, com 1.610 eleitores entrevistados em São Paulo e 1.204 em Minas Gerais. A margem de erro é de dois pontos percentuais no estado paulista e três pontos no mineiro, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Somados ao cenário nacional de equilíbrio entre os dois principais adversários, os resultados ajudam a desenhar uma eleição em que as vantagens regionais poderão ser determinantes. Flávio tenta fazer de São Paulo uma locomotiva eleitoral capaz de ampliar sua votação nacional, enquanto Lula precisa preservar sua força em regiões onde tradicionalmente obtém melhores resultados e, principalmente, impedir uma virada em Minas. Se São Paulo coloca Flávio alguns passos à frente, Minas mantém os dois praticamente lado a lado — e pode novamente assumir o papel de fiel da balança na escolha do próximo Presidente.

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