Dois novos registros na capital, incluindo um bebê de seis meses, reforçam alerta das autoridades para vacinação e monitoramento das cadeias de transmissão
Uma doença que o Brasil conhece bem (e que gostaria de manter apenas nos livros de história) voltou a acender o sinal de alerta. São Paulo confirmou mais dois casos de sarampo e chegou a 32 registros em 2026, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Os novos pacientes são uma menina de seis meses, com esquema vacinal incompleto, e um homem de 28 anos que já havia sido vacinado. Os dois casos ocorreram na capital paulista e fazem parte de cadeias de transmissão notificadas em agosto. Com as novas confirmações, a cidade de São Paulo concentra 29 dos casos registrados no estado neste ano, enquanto São Bernardo do Campo contabiliza dois e Guarulhos, um caso.
O avanço dos registros mantém as equipes de vigilância epidemiológica em atenção. Ao longo de 2026, foram identificadas quatro cadeias de transmissão, das quais três permanecem ativas. As cadeias relacionadas aos meses de junho, julho e agosto seguem monitoradas pelas autoridades estaduais e municipais. A primeira havia sido registrada entre março e abril e estava associada a dois casos importados, enquanto uma segunda cadeia já foi considerada encerrada após passar 12 semanas sem novas ocorrências. O crescimento recente chama atenção: apenas dois dias antes do novo balanço, São Paulo contabilizava 30 casos, depois da confirmação de duas crianças com menos de 2 anos infectadas na capital.
Vacina como barreira
Diante do cenário, a principal recomendação continua sendo manter a vacinação em dia. A tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível nas unidades básicas de saúde dos 645 municípios paulistas. Pelo calendário de imunização, crianças devem receber a primeira dose contra o sarampo aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Pessoas entre 15 meses e 29 anos precisam comprovar duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias, enquanto aquelas entre 30 e 59 anos devem ter pelo menos uma dose registrada. Para profissionais de saúde, a orientação é de duas doses, independentemente da idade.
Uma atenção especial está sendo dada aos bebês, justamente uma faixa etária vulnerável à doença. Nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, crianças entre seis e 11 meses e 29 dias continuam recebendo a chamada “dose zero” da tríplice viral. Ela também pode ser recomendada para bebês dessa idade que tenham mantido contato com pessoas com suspeita ou confirmação de sarampo. A aplicação antecipada, entretanto, não substitui as doses previstas no calendário infantil: mesmo imunizada antes de completar 1 ano, a criança deverá receber novamente a vacina aos 12 e aos 15 meses. Com três cadeias de transmissão ainda ativas, a estratégia das autoridades é impedir que novos casos deem fôlego a uma doença altamente contagiosa — e, nesse combate, a vacina continua sendo a principal barreira.