Notícia Todo Dia NTD
Diversão & Arte

Rock in Rio se rende e pede a Cobra Coral trégua da chuva na noite do k-pop

12/09/2026 21:37 Por Leo Pinheiro

Na aguardada noite do k-pop, quando o Stray Kids encerrou a programação, a chuva deu uma trégua

Foto: Reprodução Multishow

Após milhares de comentários associarem temporal à ausência da fundação no Rock in Rio, entidade esotérica diz ter recebido pedido de emergência para atuar no dia do Stray Kids

Veja um exemplo da força da crendice popular. Bastou a chuva cair com insistência sobre a primeira semana do Rock in Rio para uma velha conhecida dos grandes eventos cariocas voltar ao centro das conversas: a Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC). Nas redes sociais, multiplicaram-se comentários atribuindo o mau tempo à ausência da entidade nesta edição do festival. De acordo com levantamento da Escola de Comunicação da FGV, das cerca de 80 mil interações registradas no X (antigo Twitter) sobre a chuva durante a semana, aproximadamente 10 mil mencionaram a fundação. Coincidência ou não, nesta sexta-feira, 11, justamente na aguardada noite do k-pop, quando o Stray Kids encerrou a programação, a chuva deu uma trégua. E a FCCC afirma ter recebido um pedido de emergência para entrar em ação.

Dirigida pela médium Adelaide Scritori, a fundação afirma atuar sobre fenômenos meteorológicos por meio do espírito do Cacique Cobra Coral, que, segundo a própria entidade, teria vivido em outras encarnações como Galileu Galilei e Abraham Lincoln. A página da FCCC exibe ainda entre seus parceiros nomes de gigantes como Bradesco, Itaú e Allianz. Desta vez, segundo o porta-voz da fundação, Osmar Santos, o pedido de última hora para atuar no Rock in Rio não teria partido nem da Prefeitura do Rio nem da organização do festival. Adelaide e Osmar estavam em São Paulo e, diante da falta de vagas em voos, teriam recebido um carro com motorista para viajar até o Rio. Instalados em um apartamento na Barra da Tijuca, teriam iniciado a suposta atuação para afastar as nuvens da Cidade do Rock e direcioná-las para o sul de Minas Gerais, região de nascentes que abastecem o Sistema Cantareira.

Entre a fé e a previsão

Não existe comprovação científica de que a Fundação Cacique Cobra Coral seja capaz de interferir no clima ou de que sua suposta atuação tenha qualquer relação com a ausência de chuva durante os shows. Mas o imaginário em torno da entidade ganhou força justamente porque a água havia sido uma presença constante no festival. A FCCC não mantém contrato oficial com o Rock in Rio em 2026 e, antes do início do evento, havia anunciado que não trabalharia para afastar a chuva, apesar dos inúmeros pedidos recebidos de fãs. A prioridade, segundo a instituição, seria contribuir espiritualmente para a recuperação dos reservatórios do Sistema Cantareira, em São Paulo. O chamado emergencial teria provocado uma exceção exatamente na sexta-feira, quando o k-pop tomou conta da Cidade do Rock.

O resultado foi combustível perfeito para quem já havia transformado a Cobra Coral em assunto nas redes sociais. Fãs do rock que chegaram ao festival por volta das 17h00 e permaneceram até depois das 2h00 da madrugada deste sábado relataram não ter enfrentado chuva significativa; após o show do Stray Kids, o vento aumentou, mas nada além de um chuvisco. Para a meteorologia, variações como essa fazem parte da dinâmica natural do tempo, e não há evidência que permita atribuí-las à ação de uma médium. Para os milhares de internautas que passaram a semana brincando com a ausência da fundação, porém, a coincidência foi irresistível. Entre ciência, esoterismo e memes, a Cobra Coral conseguiu um feito que independe de qualquer poder sobre as nuvens: em meio a um dos maiores festivais de música do mundo, transformou a própria chuva — e principalmente a falta dela — em atração paralela do Rock in Rio.

.