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De olho no futuro: Diagnóstico precoce da baixa visão pode mudar a infância

12/09/2026 19:22 Por Felipe Masid

Entre as principais causas na infância estão catarata e glaucoma congênitos

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Especialista alerta que alterações visuais podem afetar aprendizado, desenvolvimento motor, comunicação e autonomia das crianças

Enxergar o mundo é também uma maneira de aprender a ocupá-lo. Na infância, acompanhar um brinquedo com os olhos, reconhecer o rosto dos pais, explorar um ambiente ou simplesmente caminhar sem esbarrar nos objetos são experiências que ajudam a construir habilidades muito além da visão. Por isso, alterações visuais importantes nos primeiros anos de vida podem repercutir no desenvolvimento motor, cognitivo, social e na comunicação da criança. O alerta é da oftalmologista Maria de Fátima Neri, que participou do 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), em Salvador. Segundo a especialista, identificar precocemente a baixa visão aumenta as possibilidades de aproveitar a chamada visão residual e desenvolver estratégias capazes de proporcionar maior independência à criança.

A baixa visão não significa apenas enxergar menos ou apresentar uma redução da acuidade visual. O problema pode comprometer a percepção, a capacidade de explorar espaços, a aprendizagem, a comunicação e a autonomia. Entre as principais causas na infância estão catarata e glaucoma congênitos, anomalias do nervo óptico, albinismo, distrofias hereditárias da retina, alta miopia, doenças neurológicas, deficiência visual cortical ou cerebral e prematuridade. Infecções como sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus também podem provocar retinopatias associadas à perda visual. Para a oftalmologista, tão importante quanto estabelecer o diagnóstico é descobrir como cada criança utiliza a visão que possui e de que maneira a limitação interfere em sua rotina.

Sinais aos olhos

Pais, responsáveis e educadores têm papel importante na identificação dos primeiros indícios. Uma criança que não acompanha objetos com os olhos, apresenta pouca fixação visual, aproxima brinquedos ou outros itens excessivamente do rosto, tropeça e esbarra com frequência ou demonstra dificuldade para enxergar em locais pouco iluminados merece atenção. Fotofobia, procura intensa por luz, dificuldade para reconhecer pessoas e objetos e atraso no desenvolvimento sem causa conhecida também aparecem entre os sinais de alerta citados pela especialista. A avaliação precisa ir além do consultório: é importante saber se a criança reconhece rostos, consegue localizar objetos e brincar com autonomia, como reage às diferentes condições de iluminação e quais atividades deixou de realizar em razão da dificuldade visual.

Quando a baixa visão é confirmada, o cuidado pode exigir uma abordagem multidisciplinar. Além do acompanhamento oftalmológico, a habilitação pode envolver estimulação visual funcional, recursos ópticos e não ópticos, tecnologias assistivas, orientação e mobilidade, terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, pedagogia e participação ativa da família. O objetivo não é apenas melhorar a capacidade de enxergar, mas permitir que a criança desenvolva habilidades para aprender, comunicar-se, movimentar-se e participar do mundo com a maior autonomia possível. Como destaca Maria de Fátima Neri, a visão faz parte da construção de toda a experiência infantil. Nesse sentido, perceber cedo que algo não vai bem pode fazer diferença por toda a vida: cuidar dos olhos na infância é também manter abertas as janelas para o futuro.

Felipe Masid

@masidfelipe

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