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Nem só de meninos se faz o k-pop: Hwasa ganha o público no Rock in Rio

12/09/2026 15:01 Por Leo Pinheiro

Enrolada em uma bandeira do Brasil, a artista protagonizou os momentos mais emocionantes da noite

Foto: Reprodução Instagram

No mesmo dia em que o Stray Kids mobilizou uma legião de fãs, cantora sul-coreana mostrou a força feminina do gênero e conquistou os brasileiros com voz, sensualidade e espontaneidade

Nem só de meninos se faz o fenômeno mundial chamado k-pop. No mesmo dia em que o Stray Kids levou uma legião de fãs ao Rock in Rio, Hwasa mostrou que as mulheres também têm voz (e muita!) na expansão global da música sul-coreana. Aos 31 anos, a integrante do Mamamoo entrou no Palco Mundo nesta sexta-feira, 11, carregando uma marca histórica: tornou-se a primeira mulher e a primeira artista solo do k-pop a ocupar o principal palco do festival. De chapéu e minissaia rosas, corset preto e uma atitude que dispensava cerimônias, abriu o show com “Hwasa”, música que leva seu nome, e rapidamente conquistou a plateia com uma combinação de presença de palco, sensualidade, e personalidade.

Se o Stray Kids representa uma das faces mais populares da nova geração masculina do k-pop, com coreografias precisas, grandes produções, e uma gigantesca base de fãs, Hwasa apresentou outro caminho para o mesmo gênero. Menos preocupada em seguir a cartilha de perfeição normalmente associada aos idols sul-coreanos, a cantora apostou em uma apresentação com características de diva pop, sustentada não só pela pela própria voz, mas também por uma banda ao vivo. Em músicas como “I Love My Body” e “Kidding”, guitarras e bateria ganharam espaço e deram ao repertório um peso especialmente adequado à Cidade do Rock. Mas foi também fora das coreografias que ela ganhou de vez os brasileiros: enrolou-se em uma bandeira do Brasil, desceu do palco para ficar perto da plateia, e protagonizou um dos momentos mais descontraídos da apresentação ao pedir a uma fã que lhe ensinasse a pronunciar a palavra “fofo”.

Elas também comandam

A presença de Hwasa no mesmo dia do Stray Kids acabou funcionando como um retrato da diversidade que existe dentro do próprio k-pop. De um lado, um dos grupos masculinos mais populares do planeta; do outro, uma artista que construiu sua identidade desafiando convenções e transformando autoestima, corpo, liberdade e sexualidade em elementos importantes de sua música. A plateia respondeu à entrega. Mesmo falando majoritariamente em coreano e recorrendo a uma intérprete para transmitir suas mensagens, Hwasa derrubou a barreira do idioma com gestos simples e espontâneos. A bandeira brasileira sobre os ombros, a aproximação física com os fãs, e a divertida aula improvisada de português ajudaram a criar uma cumplicidade que ia além das músicas. Entre declarações de carinho pelo país e palavras arriscadas em português, ouviu o público cantar sucessos como “Twit”, “Maria” e “I Love My Body”, e transformou a estreia em uma troca constante com os fãs.

Ao dividir o protagonismo do dia com o Stray Kids, Hwasa também ajudou a desmontar a imagem de que o fenômeno sul-coreano é território dominado pelas chamadas boy bands. A cantora levou ao Palco Mundo uma vertente mais adulta, provocadora e menos comportada do k-pop, sem abrir mão do espetáculo que tornou o gênero mundialmente popular. E, se os meninos fizeram barulho, ela encontrou sua própria maneira de encantar a Cidade do Rock: cantou, dançou, brincou, vestiu literalmente as cores do Brasil, e atravessou a distância entre palco e plateia. No fim, a palavra que Hwasa quis aprender com uma fã talvez servisse também para definir a relação criada ali. Entre a celebridade de uma diva e a espontaneidade de quem queria se aproximar dos brasileiros, ela verdadeiramente descobriu o significado de “fofo”; e deixou o público igualmente encantado. 

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