Aeronave caiu e foi consumida pelo fogo em área rural de Água Boa; vítimas ainda não foram identificadas e causas do acidente serão investigadas
Um voo ainda cercado de perguntas terminou entre fogo e destroços no interior de Mato Grosso. Três pessoas morreram após a queda de um avião de pequeno porte na manhã desta quinta-feira, 10, em uma área rural de Água Boa, município localizado no leste do estado. A aeronave caiu em uma fazenda a cerca de 20 quilômetros da região urbana e pegou fogo logo depois de atingir o solo, sendo praticamente destruída pelas chamas. Equipes de emergência foram mobilizadas para a propriedade, mas, quando os bombeiros conseguiram controlar o incêndio e se aproximar dos destroços, encontraram três pessoas já sem vida no interior do avião. Até o fim dos primeiros trabalhos no local, as autoridades ainda não haviam divulgado oficialmente a identidade das vítimas. Também permaneciam sem resposta questões básicas sobre o voo, como de onde a aeronave havia partido, qual seria seu destino e o que teria provocado a queda. O acidente mobilizou Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar e Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), além de provocar o acionamento dos órgãos responsáveis pela investigação de acidentes aeronáuticos.
O chamado para o Corpo de Bombeiros ocorreu por volta das 8h50, quando as equipes receberam a informação de que uma aeronave havia caído e estava em chamas em uma propriedade rural. Ao chegarem à região, os militares encontraram o avião tomado pelo fogo e montaram uma operação para extinguir o incêndio e permitir o acesso seguro ao ponto do impacto. Cerca de 4 mil litros de água foram utilizados até que as chamas fossem completamente controladas. Somente depois do resfriamento e da estabilização da área foi possível avançar entre os destroços, onde os bombeiros localizaram os três corpos. A violência do impacto seguida pelo incêndio dificultou os primeiros trabalhos de identificação e preservação de evidências. Imagens registradas no local mostram que se tratava de um bimotor Cessna, mas a Polícia Civil informou inicialmente que o estado da aeronave impedia confirmar com segurança todos os seus dados. A intensidade das chamas também dificultou a identificação imediata das pessoas que estavam a bordo. Os corpos foram deixados sob responsabilidade dos órgãos periciais, que deverão realizar exames para estabelecer oficialmente a identidade das vítimas e produzir informações que também poderão ajudar na reconstrução das circunstâncias do acidente.
Mistério nos destroços
Além da identificação das vítimas, os investigadores terão de reconstruir os últimos momentos do voo. Não havia, inicialmente, confirmação oficial sobre eventual plano de voo, ponto de partida ou destino da aeronave, informações fundamentais para determinar a rota percorrida antes da queda. A Polícia Militar isolou a área para preservar os destroços, enquanto agentes da Polícia Civil e peritos da Politec iniciaram os procedimentos técnicos no local. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também foi acionado e deverá participar das investigações complementares destinadas a esclarecer os fatores que contribuíram para o acidente. Esse trabalho poderá envolver a análise das partes remanescentes do avião, das condições operacionais da aeronave e de outros elementos capazes de indicar o que ocorreu antes do impacto. Até que a perícia avance, não há confirmação sobre falha mecânica, condições meteorológicas, erro humano ou qualquer outra hipótese para explicar a queda. A ausência dessas respostas exige cautela, principalmente diante do grau de destruição provocado pelo incêndio, que pode tornar mais complexo o trabalho dos especialistas encarregados de reconstruir a sequência dos acontecimentos.
O acidente em Água Boa deixa, portanto, uma investigação que começa com poucas certezas além da dimensão da tragédia. Três pessoas embarcaram em um voo cuja história ainda precisa ser reconstruída e nenhuma delas sobreviveu para contar o que aconteceu nos instantes anteriores à queda. Caberá agora às perícias transformar destroços, registros e informações operacionais em respostas sobre a trajetória da aeronave e os fatores que provocaram o acidente. A identificação oficial das vítimas também será uma das prioridades, permitindo posteriormente comunicar as famílias e estabelecer quem estava a bordo. Enquanto a Polícia Civil concentra esforços na apuração das circunstâncias da ocorrência e a Politec trabalha nos exames técnicos, o Cenipa deverá analisar os aspectos relacionados à segurança de voo, com o objetivo de identificar fatores contribuintes e produzir conhecimento para a prevenção de novos acidentes. Em meio a uma área rural marcada pelo impacto e pelas chamas, o que restou do bimotor tornou-se agora a principal fonte de pistas para esclarecer como um voo terminou abruptamente em uma fazenda de Mato Grosso e deixou três mortos.