Desde que surgiu a Inteligência Artificial Generativa, uma das perguntas que mais escuto em palestras, mentorias e salas de aula é sempre a mesma: "A IA vai substituir os profissionais?" Minha resposta costuma surpreender: “Não!” Pelo menos não da forma como muita gente imagina.
A Inteligência Artificial dificilmente substituirá um grande líder. Mas líderes que ignorarem essa transformação certamente perderão espaço para aqueles que aprenderem a utilizá-la como uma poderosa aliada.
Ao longo da minha carreira tive o privilégio de viver diversas revoluções tecnológicas. Vi a chegada da internet comercial, do e-mail, dos smartphones, das redes sociais, do comércio eletrônico, da transformação digital e, agora, da Inteligência Artificial. Em todas elas ouvi exatamente o mesmo discurso: isso nunca vai funcionar; isso é apenas uma moda; meu mercado é diferente.
A história mostrou exatamente o contrário: a tecnologia nunca perguntou se estávamos preparados; ela simplesmente chegou, e continuará chegando. Mas existe algo que aprendi observando empresas de diferentes culturas e mercados; a tecnologia muda ferramentas, mas os excelentes líderes mudam mentalidades.
A IA consegue escrever um relatório em poucos segundos; analisa milhares de dados em velocidade impressionante; resume documentos; traduz idiomas; produz imagens; desenvolve apresentações; e até sugere estratégias. Mas, existem coisas que ela ainda não consegue fazer: inspirar pessoas, construir confiança, resolver conflitos humanos, ler o ambiente político de uma organização, perceber o silêncio de um colaborador durante uma reunião e, por fim, tomar decisões considerando valores, contexto e propósito. Estas continuam sendo competências profundamente humanas.
Talvez por isso eu acredite que este seja um dos momentos mais fascinantes da história da liderança. Quanto mais tecnologia tivermos, maior será a importância das competências humanas. Parece contraditório; mas não é. Quanto mais automatizamos tarefas técnicas, mais valorizamos julgamento, criatividade, inteligência emocional, pensamento crítico e ética.
É exatamente aí que mora o novo papel da liderança: não é competir com a Inteligência Artificial, mas, sim, aprender a trabalhar ao lado dela e com ela. Nas minhas mentorias costumo dizer que a IA será como um novo membro da equipe. Um colaborador extremamente rápido, incansável, disponível vinte e quatro horas por dia. Mas que continua precisando de direção... E liderança!
Porque quem define as perguntas continua sendo o líder. Quem decide prioridades continua sendo o líder; quem assume a responsabilidade pelas consequências continua sendo o líder.
Vejo muitos profissionais preocupados em preservar exatamente aquilo que a tecnologia faz melhor. Na minha opinião, não temos que tentar competir com o que a máquina faz. Vamos perder, garanto. Creio que a gente deva fazer o contrário: precisamos investir naquilo que nos torna únicos:
- Curiosidade.
- Empatia.
- Capacidade de aprender continuamente.
- Comunicação.
- Criatividade.
- Relacionamentos.
Essas competências nunca foram tão valiosas.
Em um mundo onde praticamente todos terão acesso às mesmas ferramentas de Inteligência Artificial, o diferencial competitivo deixará de ser o software utilizado; será a qualidade do pensamento de quem o utiliza. No final das contas, a IA não substituirá líderes (graças a Deus por isso!) Mas certamente ampliará a diferença entre aqueles que continuam aprendendo e aqueles que decidiram parar no tempo.
Porque toda revolução tecnológica muda ferramentas mas, somnente as grandes lideranças mudam mentalidades.