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Economia

Recorde de aperto: 82% das famílias estão endividadas e a conta chega para o governo

10/09/2026 19:52 Por Felipe Masid

Entre julho e agosto, a parcela de consumidores com contas atrasadas subiu para 29,9% da população

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Endividamento recorde aperta famílias e aumenta a pressão sobre Lula

O brasileiro continua comprando, parcelando e recorrendo ao crédito, mas a conta começa a pesar demais no bolso. Pelo segundo mês consecutivo, 82% das famílias estão endividadas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O percentual, referente a agosto, é recorde e revela uma economia em que boa parte do consumo depende de dinheiro que ainda não entrou no orçamento.

Além do alto nível de endividamento, a inadimplência também avançou. Entre julho e agosto, a parcela de consumidores com contas atrasadas subiu 0,1 ponto percentual, chegando a 29,9%. Entre os endividados, 12,5% afirmam que não terão condições de quitar as dívidas, o maior percentual desde fevereiro. O cenário ganha contornos ainda mais preocupantes quando se considera que 26,2% da renda das famílias está comprometida com juros e amortizações de dívidas junto ao sistema financeiro, sem contar o financiamento imobiliário.

Crédito no limite

O problema é que o crédito pode funcionar como combustível para a economia no curto prazo, mas cobra a conta depois. Especialistas ouvidos pelo Terra alertam que, quando uma parcela cada vez maior da renda é destinada ao pagamento de empréstimos, cartões e financiamentos, sobra menos dinheiro para novas compras. Com juros elevados e inadimplência próxima de níveis históricos, qualquer perda de renda pode empurrar mais consumidores para o atraso e tornar ainda mais difícil a recuperação financeira das famílias.

A própria dinâmica da economia já começa a refletir esse aperto. O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, bem abaixo da expansão de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano. A expectativa é de que o esforço das famílias para reorganizar o orçamento reduza gradualmente o endividamento, mas também provoque uma desaceleração do consumo. Em outras palavras, para sair do vermelho, o brasileiro pode acabar colocando a economia no freio; um ajuste necessário para as famílias, mas que tende a esfriar a atividade econômica. 

Felipe Masid

@masidfelipe

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