Notícia Todo Dia NTD
MT

Mato Grosso põe o pé na estrada e o caixa acelera

09/09/2026 11:52 Por Redação NTD

O setor de transportes de carga pega carona no sucesso do agro mato-grossense

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Transportes lideram o setor de serviços no Estado e movimentaram mais de R$ 40 bilhões em receita em 2024, segundo levantamento do IBGE

Se existe uma atividade que acompanha cada grão de soja, cada carga de milho e cada produto que sai de Mato Grosso rumo a outros mercados, ela está sobre rodas. O transporte se consolidou como o principal motor financeiro do setor de serviços no Estado, respondendo pela maior fatia da receita e revelando o peso estratégico da logística em uma das economias mais dinâmicas do país. Dados do IBGE mostram que o segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio foi responsável por mais de R$ 40 bilhões em receita em 2024, colocando a logística no centro da engrenagem econômica mato-grossense. 

O resultado não acontece por acaso. Mato Grosso está no coração da produção agropecuária brasileira e precisa movimentar grandes volumes de grãos, carnes e outros produtos até os mercados consumidores e portos de exportação. Nesse cenário, caminhões, armazéns, serviços de apoio e demais estruturas logísticas deixam de ser apenas uma etapa da cadeia produtiva e passam a funcionar como um negócio de enorme escala. O próprio IBGE aponta que transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio aparecem entre os principais segmentos de geração de receita dos serviços no Estado, em um desempenho que também se destaca em outras unidades da região Centro-Oeste.

Negócio que roda com o agro

A força dos transportes ajuda a explicar uma característica particular da economia mato-grossense: quanto mais o agronegócio produz, maior tende a ser a pressão sobre a infraestrutura necessária para levar essa produção adiante. Rodovias, ferrovias, terminais e corredores de exportação ganham importância justamente porque o volume movimentado pelo Estado exige uma logística cada vez mais eficiente. Obras como a pavimentação de trechos da BR-158, por exemplo, são tratadas como estratégicas para facilitar o escoamento da produção mato-grossense até os portos do Arco Norte.

Os números do IBGE mostram, portanto, que o transporte não é apenas coadjuvante de uma economia dominada pelo campo: ele próprio virou um dos grandes negócios do Estado. A receita bilionária do segmento evidencia o tamanho do mercado criado em torno da movimentação de cargas e passageiros e, ao mesmo tempo, expõe um desafio antigo: transformar o peso econômico da logística em uma infraestrutura capaz de acompanhar esse crescimento. Em Mato Grosso, a produção pode até nascer na fazenda, mas é na estrada — e cada vez mais nos trilhos — que uma parte importante do dinheiro começa a rodar.