Três botequins tradicionais levam ao festival receitas, histórias e aquele tempero de memória que transforma comida em patrimônio
No Rio, patrimônio não precisa ficar atrás de uma vitrine; pode vir em um prato, acompanhado de uma cerveja gelada e de uma boa história. É com essa receita que o Rio Gastronomia 2026 vai reunir três botequins que ajudaram a escrever a história gastronômica da cidade. Bar Urca, Bar da Portuguesa e Bode Cheiroso serão os convidados do estande Patrimônios do Rio, levando ao Jockey Club Brasileiro não apenas alguns de seus pratos mais conhecidos, mas também a memória dos bairros, personagens e gerações que ajudaram a transformar esses endereços em referências cariocas.
A programação começa com o Bar Urca, entre 17 e 20 de setembro. De frente para a Baía de Guanabara, o tradicional endereço vai levar para a Gávea sabores como pastel e bolinho de camarão, bolinho de bacalhau e canoinha de bobó. Depois, entre 24 e 27 de setembro, será a vez do Bar da Portuguesa, de Ramos, apresentar receitas como sopa de siri, arroz do Didi, salada de bacalhau e pastel de camarão. Fundado em 1972, o botequim também carrega histórias que ultrapassam o balcão: Pixinguinha, um dos maiores nomes da música brasileira, era frequentador do estabelecimento.
Uma cidade servida no prato
A última parada dessa viagem gastronômica será no Bode Cheiroso, entre 1º e 4 de outubro. O botequim, conhecido pela proximidade com o Maracanã, chega ao festival com um cardápio que faz pouca cerimônia com a moderação: torresmo em barra, moela, maravilha de carne seca, sanduíche de pernil com provolone e arroz de costela com pesto de agrião estão entre as opções. Para completar, a tradicional batata frita com muçarela gratinada e farofa de torresmo promete deixar qualquer tentativa de dieta para outro dia.
Os três estabelecimentos têm algo em comum além da comida: foram reconhecidos como Patrimônios Culturais Cariocas. A iniciativa da Riotur, em parceria com o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, transforma o festival em uma espécie de mapa afetivo da cidade, no qual cada prato conta um pedaço da história do Rio. No fim das contas, a ideia é simples e bem carioca: levar o patrimônio para perto do público, e provar que algumas das melhores lembranças da cidade não estão em monumentos, mas chegam à mesa fumegando, crocantes e prontas para dividir uma boa conversa.