Após 35 anos focada em embalagens plásticas, empresa gaúcha investe R$ 65 milhões em nova fábrica capaz de produzir até 250 caixas por minuto
Depois de três décadas e meia vivendo do plástico, a Galvanotek decidiu mudar de embalagem sem mudar de ambição. A empresa gaúcha, que completa 35 anos em 2026, está investindo R$ 65 milhões para entrar de vez no mercado de papelão ondulado e erguer uma nova fábrica em Barão, no interior do Rio Grande do Sul. A unidade terá 19.126 metros quadrados e foi projetada para transformar bobinas de papel em chapas e, posteriormente, em até 250 caixas por minuto. Os primeiros testes da operação estão previstos para o primeiro trimestre de 2027, marcando uma das principais mudanças estratégicas da companhia desde que abandonou sua atividade original e passou a se dedicar às embalagens plásticas.
A nova operação não significa o abandono do plástico, mas a ampliação do negócio para uma cadeia que ganhou força com o crescimento do delivery e do setor de alimentação. A Galvanotek pretende produzir caixas para pizza, embalagens para entregas, caixas para sanduíches e bandejas de papel, entre outros produtos. No centro da fábrica estará uma onduladeira com capacidade para operar a até 300 metros por minuto, seguida por duas impressoras industriais responsáveis por processos de impressão e corte. A aposta também busca aumentar a verticalização da empresa, concentrando mais etapas da produção dentro da própria estrutura e dando à companhia maior controle sobre prazo, qualidade e personalização das embalagens.
Do plástico ao papelão
A história da Galvanotek começou em 1991, em Carlos Barbosa, na Serra Gaúcha, mas a empresa não nasceu fabricando embalagens. A companhia iniciou as atividades no segmento de galvanoplastia e só entrou no mercado de embalagens plásticas em 1997. Três anos depois, deixou a atividade original para concentrar sua operação exclusivamente nas embalagens. Desde então, construiu uma trajetória marcada pela produção em escala de recipientes e soluções para alimentos, ampliou sua presença internacional e passou a exportar para mais de 18 países. Atualmente, a empresa mantém operações em Carlos Barbosa e Barão e emprega mais de 800 pessoas nas duas unidades.
Com a nova fábrica, a companhia tenta transformar a experiência acumulada em uma vantagem também no mercado de papelão. A estratégia é combinar os dois materiais e oferecer aos mesmos clientes um portfólio mais amplo, especialmente em segmentos como alimentação, padarias, confeitarias, supermercados e delivery. A nova unidade ainda representa uma aposta em escala: além das 250 caixas por minuto previstas, a estrutura permitirá que a empresa controle internamente etapas que vão da transformação da bobina de papel à embalagem acabada. Em um mercado no qual velocidade, padronização e capacidade de atender diferentes formatos pesam cada vez mais, a Galvanotek aposta que trocar parte do plástico pelo papelão pode ser justamente o caminho para continuar crescendo.