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Justiça pelas próprias mãos: 13 são indiciados por morte de ciclista em Copacabana

08/09/2026 09:56 Por João Vieira

Imagem: Fotos: Reprodução Câmera de segurança

Cláudio Rafael Landeiro Moreira foi espancado após uma falsa acusação de furto; cinco suspeitos respondem por homicídio triplamente qualificado

Uma bicicleta que não havia sido roubada, uma acusação sem provas e nove minutos de violência que terminaram em morte. A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o espancamento de Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, ocorrido em Copacabana, na Zona Sul do Rio, e indiciou 13 pessoas por diferentes crimes relacionados ao caso. O ciclista foi atacado depois de ser apontado injustamente como autor do furto de uma bicicleta, que, na verdade, pertencia à própria irmã. A investigação da 12ª DP (Copacabana) reconstruiu os momentos que antecederam a morte e identificou a participação de seguranças de rua, entregadores e outras pessoas no episódio. 

Cláudio estava com a bicicleta da irmã quando parou nas proximidades de uma loja de brinquedos e de uma farmácia, na Rua Barata Ribeiro. A partir daí, segundo as investigações, foi cercado e submetido a uma sequência brutal de agressões, com socos, chutes e dezenas de golpes desferidos com um objeto de madeira. O ciclista, que tinha transtornos mentais e defasagem cognitiva, não ofereceu resistência. Imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para a polícia reconstituir a dinâmica do crime e apontar os envolvidos. O laudo do Instituto Médico Legal indicou que Cláudio morreu em consequência de traumatismo cranioencefálico, hemorragia interna e lesões no baço e no rim esquerdo.

Da suspeita ao linchamento

Entre os 13 indiciados, cinco homens foram responsabilizados por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, emprego de meio cruel e uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. Quatro deles estão presos e um permanece foragido. Uma testemunha que presenciou as agressões e não ajudou Cláudio foi indiciada por omissão de socorro, enquanto uma mulher responderá por lesão corporal por, segundo a investigação, ter entregue a um dos agressores o pedaço de madeira utilizado no ataque. Outros envolvidos foram indiciados por contravenções relacionadas ao exercício irregular da atividade de segurança.

O inquérito também trouxe à tona a existência de uma estrutura informal de segurança de rua em Copacabana, mantida com pagamentos de comerciantes da região. Segundo a investigação, estabelecimentos repassavam valores semanais aos vigilantes, sem contratos formais ou vínculo trabalhista regular. A apuração concluiu que não se tratava de uma atividade ocasional, mas de um sistema organizado e remunerado. Com o encerramento do inquérito, o caso segue para as próximas etapas na esfera judicial, enquanto a morte de Cláudio deixa uma marca inquietante: uma suspeita que jamais se confirmou foi suficiente para transformar uma rua movimentada de Copacabana em cenário de um linchamento.

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