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Elton John dá um ‘Rocket’ no playback e cala os críticos no Rock in Rio

08/09/2026 10:19 Por Leo Pinheiro

Sir Elton John subiu ao palco com o peso da idade , voz real, e dispensando a tecnologia

Foto: Reprodução Multishow

Aos 79 anos, astro britânico expõe as marcas do tempo, dispensa playback e Auto-Tune e encara o Rock in Rio com a própria voz, sem maquiagem tecnológica

Elton John poderia ter escolhido o caminho mais confortável: esconder as limitações de uma voz marcada por décadas de estrada atrás de recursos tecnológicos. Preferiu o risco. Aos 79 anos, o músico britânico subiu ao Palco Mundo nesta segunda-feira, 7, sem playback nem Auto-Tune (software de processamento vocal que pode ser usado para correção de afinação), e deixou a própria voz enfrentar o julgamento da multidão. Em vez de tentar reproduzir artificialmente o cantor de seus tempos áureos, mudou tonalidades, remodelou arranjos, e adaptou clássicos como “Bennie and the Jets”, “Rocket Man”, “Cold Heart”, “Skyline Pigeon” e “Your Song” à voz que tem hoje. E foi justamente aí que a apresentação ganhou força: o veterano popstar não vendeu uma ilusão de juventude. Mostrou as rugas, as limitações, e a experiência; tudo ao vivo, diante de uma multidão.

Sem trapaças contra o tempo

O mais impressionante foi que o britânico não tentou esconder que o tempo passou. A voz está naturalmente mais cansada, consequência de uma trajetória gigantesca de shows, e algumas notas que um dia pareciam fáceis agora exigem outra abordagem. Em vez de transformar isso em fraqueza, o astro fez da adaptação uma arma. Reorganizou músicas, reduziu exigências vocais, e encontrou novas maneiras de interpretar canções que milhões de pessoas conhecem nota por nota. Não era uma cópia do Elton John do passado; era o próprio Elton John encarando o presente. E talvez justamente por isso o espetáculo tenha soado mais verdadeiro do que qualquer tentativa de fabricar uma performance tecnicamente perfeita.

O ingrediente emocional veio com o peso da despedida. Depois de encerrar sua turnê “Farewell Yellow Brick Road”, o artista voltou ao Brasil para um encontro que tinha sabor de último capítulo. Em sua terceira passagem pelo Rock in Rio, depois de 2011 e 2015, o cantor transformou o Palco Mundo em uma viagem por mais de cinco décadas de carreira. A plateia não estava diante de um novato tentando provar que merece estar ali. Estava diante de uma das maiores estrelas da música popular, revisitando seus próprios clássicos enquanto o relógio biológico cobrava seu preço. E, diante de uma multidão que sabia exatamente o que estava testemunhando, cada música ganhou uma camada extra de emoção.

Time experiente

O artista ainda contou com uma formação que parece uma verdadeira seleção de sobreviventes da história do rock. Nigel Olsson, 77 anos, comandou a bateria; Davey Johnstone, 75, ficou na guitarra e nos vocais; Ray Cooper, 78, e John Mahon, 71, dividiram a percussão; Kim Bullard, 71, assumiu os teclados, e o “jovem” Matt Bissonette, 65, ficou no baixo. Não era apenas uma banda de apoio: eram músicos experientes, entrosados, e acostumados a acompanhar o “Rocketman” em diferentes capítulos de sua carreira. A idade média elevada do grupo poderia ser usada como argumento para questionar a capacidade de uma banda de sustentar um espetáculo dessa dimensão. No palco, porém, virou justamente parte da mensagem: experiência também é potência.

No fim, Elton John deu um “Rocket” no playback e uma resposta sonora aos críticos que apostavam que a idade o faria sucumbir. Não foi uma apresentação construída para fingir que 79 anos são os novos 30. Foi o contrário. O cantor expôs o desgaste, aceitou que sua voz mudou e teve a coragem de deixar o público ouvir essas mudanças sem recorrer a uma falsa perfeição. Em uma época em que a tecnologia pode suavizar falhas, corrigir afinações, e aproximar uma performance ao vivo da versão de estúdio, Sir Elton John escolheu mostrar o risco. A voz pode ter envelhecido. A lenda, definitivamente, não.

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