Troca em cargo comissionado chama atenção pela substituição em família: filho sai, mãe entra na mesma função
Se a expressão “tudo em família” já virou clichê na política brasileira, a Secretaria Especial de Cidadania e Família do Rio acaba de oferecer uma cena que parece saída de um roteiro político: o filho deixa o cargo e, na sequência, a mãe assume exatamente a mesma função. A mudança foi oficializada pela Prefeitura por meio de portarias e coloca uma curiosa sucessão familiar no centro das atenções da administração municipal.
Mizael da Silva Gomes foi exonerado, em 1º de setembro, do cargo de Gerente de Processo III, símbolo DAS-06. Em portaria imediatamente anterior, Elizabeth Rosa da Silva Gomes havia sido nomeada para o mesmo cargo, com o mesmo símbolo e o mesmo código. Segundo os documentos apresentados ao poder público, Elizabeth é mãe de Mizael. Na prática, a cadeira ocupada pelo filho passou diretamente para a mãe.
Coincidência?
A coincidência ganha ainda mais força pelo timing das portarias e pelo fato de não se tratar apenas de uma substituição dentro da mesma secretaria: são mãe e filho envolvidos na troca do mesmo posto comissionado. O episódio inevitavelmente alimenta o debate político sobre critérios para nomeações em cargos de confiança e sobre a fronteira entre relações familiares e administração pública.
O caso não traz, por si só, qualquer acusação formal de irregularidade — mas a peculiaridade dificilmente passaria despercebida. Em uma pasta cujo próprio nome é “Cidadania e Família”, a troca produz uma ironia pronta: enquanto em muitos lugares a administração procura evitar que laços familiares sejam associados à ocupação de cargos públicos, no episódio carioca a família literalmente entrou em cena. E, neste caso, parece que a cadeira já estava reservada para alguém de casa.