IBGE lança novos mapas no Dia da Independência e resgata uma ideia defendida há décadas para destacar o Brasil e o Hemisfério Sul
No mapa-múndi, o centro nunca é apenas uma questão de régua, escala ou coordenadas. É também uma escolha sobre de onde se olha o mundo. No Dia da Independência, o IBGE coloca o Brasil no centro da representação do planeta e dá protagonismo ao Hemisfério Sul, em uma série de mapas que propõe uma perspectiva diferente daquela tradicionalmente adotada nas representações cartográficas.
A ideia, entretanto, percorre um caminho muito mais longo do que o lançamento dos novos mapas. Desde os anos 1980, Paulo Manoel Lenz Cesar Protásio defende que o Brasil seja utilizado como referência central em um mapa-múndi, iniciativa inspirada por uma representação que conheceu no Japão, onde o país asiático aparecia no centro do mundo. Sua trajetória de articulação internacional acompanhou agendas que ganharam importância para o Brasil nas últimas décadas, da Rio-92 à Rio+30 e à mobilização para a realização do G20 no Rio de Janeiro. Em 2021, o Governo do Estado criou, por meio de decreto, a Autoridade do Desenvolvimento Sustentável (ADS), tendo Protásio como diretor-executivo para atuar na agenda 2030.
Do mapa à agenda GLocal
A atuação de Protásio também está ligada ao conceito GLocal, inspirado na ideia de “pensar globalmente e agir localmente”. A proposta busca aproximar grandes agendas internacionais, como sustentabilidade, desenvolvimento e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), das necessidades concretas de governos estaduais e municipais, empresas e comunidades. A lógica é transformar compromissos debatidos no cenário internacional em ações capazes de produzir resultados efetivos nos territórios.
A aproximação entre essa visão e as representações oficiais do país ganhou força a partir de 2024, quando o IBGE passou a incorporar o Brasil centralizado em seus mapas, inicialmente no contexto do G20. Em 2025, o Instituto apresentou uma versão que coloca o Hemisfério Sul no topo e, em 2026, associou essa perspectiva à biodiversidade brasileira. A trajetória transforma uma proposta construída ao longo de décadas em uma representação institucional: ver o mundo a partir do Brasil, sem tirar os olhos do mundo; pensando globalmente e agindo localmente.