Cerimônia na Esplanada volta a registrar baixo movimento popular e repete cenário observado nos desfiles do terceiro mandato
A Independência do Brasil chegou, mas o público parece ter pedido dispensa. O desfile de 7 de Setembro realizado nesta segunda-feira, em Brasília, voltou a ser marcado pelo baixo movimento na Esplanada dos Ministérios, apesar da presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da primeira-dama Janja e de integrantes da cúpula dos Três Poderes. O cenário contrastou com a dimensão institucional da cerimônia, que teve como tema “Soberania – A força que Une o Brasil” e reuniu autoridades como o presidente do STF, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
O esvaziamento, porém, não foi uma novidade para o governo. Desde o início do terceiro mandato de Lula, os desfiles realizados em Brasília vêm sendo associados a um público menor do que o registrado no governo anterior. Em 2023, já havia chamado atenção a quantidade reduzida de pessoas na Esplanada. No ano seguinte, o evento reuniu cerca de 20 mil espectadores, segundo números divulgados à época pela imprensa. Em 2025, a grande mídia classificou o desfile como o mais fraco da série iniciada com a posse de Lula, cenário que voltou a se repetir neste ano.
Protestos a Lula e Moraes
A cerimônia deste ano ocorreu em um momento particularmente sensível para o governo, às vésperas das eleições de outubro e em meio à disputa política cada vez mais acirrada. Para evitar associação direta com propaganda eleitoral, o desfile foi planejado com foco em temas institucionais, como soberania nacional, combate à violência contra a mulher e a Copa do Mundo Feminina de 2027. Lula também adotou a soberania como eixo de seu pronunciamento transmitido em cadeia nacional, destacando recursos estratégicos e desenvolvimento do país.
Enquanto o desfile oficial seguia pela Esplanada, manifestações políticas também ocorreram em Brasília, com um ato paralelo reunindo apoiadores de oposição ao governo e críticas a dupla Lula e Alexandre de Moraes. O contraste reforçou o ambiente de polarização que acompanha o 7 de Setembro neste ano eleitoral. No evento oficial, Lula apareceu ao lado das principais autoridades dos Poderes; fora dele, a disputa política ocupou outros espaços da capital. No fim, a festa da Independência teve desfile, autoridades e estrutura oficial; mas, novamente, encontrou uma Esplanada longe de parecer lotada.