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Rock in Perrengue na cidade da chuva

07/09/2026 10:02 Por João Vieira

Uma chuva de problemas em um Rock in Rio esvaziado, na primeira semana do festival

Foto: Reprodução Instagram

Chuva, frio, filas, banheiros disputados e problemas no camarote VIP resumem domingo de uma edição que já enfrenta críticas pela baixa adesão

Se o Rock in Rio costuma ser uma maratona de música, o domingo, 6,  teve uma modalidade extra: a corrida contra o perrengue. Na Cidade do Rock, a chuva fina e gelada foi apenas o começo de uma noite em que um problema puxou o outro — do figurino molhado às filas nos banheiros, da falta de assentos à disputa por comida. O curioso é que a terceira noite expôs justamente o outro lado de uma edição que começou esvaziada: depois de dias de áreas vazias e shows com público abaixo do habitual, a chegada de mais gente concentrou a demanda em determinados pontos, e colocou a estrutura à prova. O resultado foi uma sequência de situações que ajudou a reforçar a impressão de um festival que, nesta primeira semana, ainda tenta encontrar o equilíbrio entre pouco público e pontos de superlotação.

A primeira parada dessa maratona foi o banheiro. Por volta das 19h00, logo depois do show do BaianaSystem, o sanitário ao lado da Gourmet Square tinha uma fila impressionante. Parte do público feminino que reclamava nas redes sociais, relatou  ter esperado quase meia hora até conseguir entrar. O problema ganhou contornos de ironia quando o público percebeu que a informação disponível no próprio festival não correspondia ao cenário diante dos olhos: o letreiro indicava 37% das cabines livres, enquanto o aplicativo apontava 25% do banheiro à disposição. Ou seja, havia banheiro “disponível” no sistema, mas pouco alívio para quem estava na fila. E, com a chuva e o frio apertando, a espera se tornava ainda mais desconfortável;  um perrengue que começava na porta do sanitário, mas era consequência de uma noite em que o clima também passou a ditar o comportamento do público.

Chuva aperta e a estrutura sente

O frio e a água não afetaram apenas a experiência de quem circulava pela Cidade do Rock. Eles também ajudaram a transformar o domingo, 6,  em uma noite de improvisos. Os figurinos elaborados, pensados para um festival de música, deram lugar a capas de chuva, casacos e peças escolhidas mais pela capacidade de proteger do que pela estética. E, à medida que mais pessoas buscavam abrigo, comida e lugares para descansar, os pontos de maior concentração começaram a sentir a pressão. Foi assim que o camarote VIP, depois de dias mais vazios, também entrou na lista de perrengues: com ingressos na casa dos R$ 3,5 mil, o espaço recebeu um público mais numeroso, e passou a registrar filas enormes para pegar comida e dificuldade para encontrar onde sentar.

A superlotação do camarote acabou puxando outro problema: a estrutura de alimentação não acompanhou o aumento da procura. Sem cadeiras e poltronas suficientes, parte dos frequentadores precisou se acomodar no chão; diante do bufê, a reposição também não dava conta do volume de pessoas, deixando opções já bastante reviradas à disposição. É aí que os problemas da noite se conectam: a mesma edição que começou com público insuficiente em vários setores terminou a primeira semana mostrando que, quando a concentração aumenta, a estrutura também sofre para absorver a demanda. Nos primeiros dias, o festival chamou atenção pelas áreas vazias e pelos shows com plateias menores; neste domingo, o cenário foi outro, com filas, banheiros disputados, comida concorrida e um VIP sem espaço suficiente para acomodar todos. Entre a chuva que espantou os figurinos, o aplicativo que não parecia enxergar a fila e o camarote que perdeu o conforto, o Rock in Rio entregou, além dos shows, uma atração que ninguém comprou ingresso para assistir: o Rock in Perrengue.

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