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Inteligência em alta: Segurança precisa enxergar o crime antes do próximo passo

06/09/2026 18:46 Por Felipe Masid

Membros do MP visitam o Centro Integrado de Comando e Controle da PMERJ

Foto: Divulgação/MPRJ

Dia do Profissional de Inteligência destaca atuação estratégica na prevenção de ameaças e na qualificação das decisões do Estado

Em um cenário em que o crime organizado já não se limita às ruas e amplia seus tentáculos por territórios, negócios e estruturas financeiras, enxergar antes pode ser tão importante quanto agir depois. Celebrado neste 6 de setembro, o Dia do Profissional de Inteligência reforça a importância de uma atividade que, mesmo longe dos holofotes, exerce papel estratégico na segurança pública ao transformar dados dispersos em conhecimento capaz de identificar ameaças, antecipar movimentos, analisar riscos e oferecer ao Estado informações para decisões mais qualificadas. A relevância desse trabalho cresce à medida que as organizações criminosas diversificam suas atividades, sofisticam mecanismos financeiros e ampliam sua presença em diferentes setores da economia e dos territórios.

A evolução da criminalidade demonstra que o enfrentamento não pode depender exclusivamente da resposta operacional. Identificar estruturas, conexões, fluxos financeiros e interesses que sustentam essas organizações exige coleta permanente de informações, processamento, análise e produção de conhecimento. Nesse contexto, a inteligência atua como uma espécie de sistema de antecipação do Estado, permitindo compreender riscos e cenários antes que determinados fenômenos se concretizem. A atividade não substitui a autoridade responsável pela decisão, mas fornece elementos para que estratégias e políticas públicas sejam formuladas com maior segurança. O avanço tecnológico também mudou esse ambiente: diante do volume crescente de dados, ferramentas de inteligência artificial passaram a auxiliar no cruzamento de bases, na identificação de padrões e na aceleração das análises, sem substituir o julgamento, a experiência e a capacidade crítica do profissional especializado.

Decisão qualificada

Para o Cel. Julio César Veras, profissional de inteligência e especialista em segurança pública, a sofisticação das organizações criminosas exige uma mudança de perspectiva sobre o próprio conceito de enfrentamento. O combate ao crime organizado passa pela compreensão de como essas estruturas se financiam, quais conexões estabelecem e de que maneira se movimentam dentro e fora dos territórios, utilizando empresas, intermediários e estruturas aparentemente legais que podem atravessar fronteiras municipais, estaduais e até internacionais. “Enfrentar esse fenômeno exige muito mais do que capacidade operacional. Exige conhecimento, antecipação, análise de riscos e cenários e, sobretudo, decisões orientadas por evidências”, destaca o oficial. Na mesma linha, o especialista Décio Alonso, Promotor de Justiça e Coordenador do GAESF/MPRJ, afirma: “o que os episódios recentes revelam não é excesso de inteligência, mas escassez de disciplina (jurídica) sobre ela. A inteligência é função de Estado, não expediente de conjuntura. Seu uso inadequado num caso deve aperfeiçoar seus parâmetros, jamais deslegitimar sua existência.” A reflexão reforça uma distinção fundamental: relatório de inteligência não se confunde com prova, mas constitui instrumento estratégico para identificar riscos, conexões, padrões e cenários e qualificar o processo decisório.

Mais do que reunir informações, o profissional de inteligência tem a responsabilidade de transformar dados em conhecimento útil para quem precisa decidir. É nesse ponto que a atividade se consolida como ferramenta estratégica de prevenção, planejamento e enfrentamento de ameaças, contribuindo para direcionar recursos, estabelecer prioridades e compreender fenômenos que ultrapassam a capacidade de uma única instituição. Em um ambiente marcado pela velocidade das transformações tecnológicas e pela crescente sofisticação do crime organizado, valorizar esses profissionais significa fortalecer a capacidade do Estado de sair da lógica de reação e ampliar sua atuação preventiva. O desafio é fazer com que informação de qualidade chegue a quem decide no momento certo — porque, na segurança pública, quem antecipa o movimento também ganha inteligência no jogo.

Felipe Masid

@masidfelipe

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