Durante uma sessão de consultoria esta semana, disse algo que fez a cliente parar por alguns segundos. "Você está tentando resolver o problema errado." Ela ficou em silêncio. Depois sorriu, como quem finalmente entendia por que tanto esforço não estava produzindo o resultado esperado.
Essa situação acontece com muito mais frequência do que imaginamos.
Quando algo não funciona, nossa tendência natural é procurar uma solução rápida e conhecida. Trabalhamos mais horas, pesquisamos mais, fazemos outro curso, mudamos detalhes, investimos em novas ferramentas, produzimos mais conteúdo. Continuamos avançando na mesma direção porque acreditamos, sinceramente, que estamos a poucos passos de alcançar o resultado. O problema é que esforço e direção são coisas diferentes. Pense bem: uma pessoa pode caminhar durante horas e, ainda assim, estar indo para o lugar errado.
Nos negócios acontece exatamente a mesma coisa.
Muitas vezes, o empresário está convencido de que precisa anunciar mais, quando, na verdade, precisa ser melhorcompreendido. Acredita que falta comunicação, quando o que falta é clareza. Investe energia e dinheiro em aperfeiçoar a execução, sem perceber que a dificuldade está na forma como o mercado interpreta sua marca.
O cérebro humano não gosta de abandonar os caminhos que lhe são familiares. Preferimos insistir naquilo que já fazemos porque isso preserva uma sensação de controle. Admitir que talvez estejamos enfrentando o problema errado exige algo muito mais difícil do que trabalhar mais: exige rever crenças, questionar hábitos e aceitar que uma mudança de direção pode ser mais importante do que acelerar o passo.
É por isso que conseguir enxergar sozinho o que não está dando certo na maioria das vezes não é simples. Quando estamos envolvidos emocionalmente em uma situação, nossa atenção fica limitada. Passamos a observar apenas aquilo que confirma nossas hipóteses e deixamos de perceber sinais importantes ao redor. Esse é um mecanismo natural e faz parte da maneira como o cérebro organiza as informações para lidar com a complexidade do mundo.
Talvez por isso o maior valor de uma boa consultoria costuma estar nas perguntas que faz. Uma investigação bem conduzidatem o poder de deslocar o olhar, revelar padrões que estavam invisíveis e mostrar que o obstáculo pode não estar onde imaginávamos.
Existe um enorme alívio quando isso acontece. Não porque o caminho se torne mais fácil, mas porque a energia deixa de ser desperdiçada tentando corrigir sintomas enquanto a verdadeira causa permanece intacta.
Sempre que sentir que está trabalhando cada vez mais e avançando cada vez menos, faça uma pausa antes de buscar uma nova solução. Talvez a pergunta mais importante não seja "o que eu devo fazer agora?", mas: "Estou realmente tentando resolver o problema certo?"