Ricardo Abrão é alvo de buscas em desdobramento de investigação sobre suposto esquema de corrupção eleitoral em Nilópolis, na Baixada Fluminense
A urna já foi fechada há quase dois anos, mas os votos de 2024 ainda fazem barulho nos corredores da Polícia Federal. O deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ) entrou na mira de uma investigação sobre um suposto esquema de compra de votos em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão contra o parlamentar, em uma nova etapa da apuração que tenta identificar a participação de políticos e outros envolvidos em uma estrutura de corrupção eleitoral montada durante as eleições municipais.
A ordem de busca contra Ricardo Abrão foi expedida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os agentes estiveram em um endereço ligado ao deputado em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. A investigação é um desdobramento de uma apuração iniciada ainda em outubro de 2024, quando 24 pessoas foram presas em flagrante em uma ação contra suspeitas de compra de votos em Nilópolis. Segundo as investigações, parte dos detidos estava com dinheiro em espécie e listas com nomes de eleitores, material que passou a alimentar as suspeitas sobre a existência de uma estrutura organizada para interferir no resultado eleitoral.
Rastro das urnas
O caso ganhou um novo capítulo em fevereiro de 2025, com a Operação Astreia, também deflagrada pela Polícia Federal. A ofensiva aprofundou as investigações sobre o suposto esquema eleitoral e mirou pessoas ligadas ao cenário político de Nilópolis. A apuração passou a investigar indícios da utilização de candidaturas consideradas “laranjas”, além da possível participação de servidores públicos e agentes políticos na engrenagem. Agora, os investigadores buscam avançar sobre dados, documentos e equipamentos eletrônicos que possam esclarecer a extensão da rede e individualizar a responsabilidade dos envolvidos.
Ricardo Abrão pertence a uma das famílias de maior influência política em Nilópolis. O deputado é filho do ex-prefeito Farid Abrão David, morto em 2020, e sobrinho de Aniz Abraão David, o Anísio, patrono da Beija-Flor de Nilópolis. O próprio parlamentar presidiu a escola de samba entre 2017 e 2021. Abrão, que busca a reeleição para a Câmara dos Deputados, sustenta que não foi candidato nas eleições municipais de 2024 e afirma estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A investigação segue em andamento e deverá analisar o material recolhido pela Polícia Federal para determinar se há elementos que comprovem a participação do deputado ou de outros agentes no suposto esquema de compra de votos.