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Conta salgada: PF liga caviar, cobertura e mansão a esquema que teria beneficiado Cláudio Castro

03/09/2026 19:25 Por João Vieira

Investigação aponta que despesas e imóveis de alto padrão teriam sido bancados ou ocultados por terceiros ligados à Refit; defesa do ex-governador nega irregularidades

Do luxo servido à mesa ao conforto de imóveis milionários, a investigação da Polícia Federal sobre supostas irregularidades envolvendo o Grupo Refit ganhou contornos dignos de um cardápio de alto padrão. Caviar de R$ 10,5 mil, uma cobertura na Barra da Tijuca com aluguel abaixo do valor de mercado e uma mansão na Região Serrana estão entre os benefícios que, segundo os investigadores, teriam chegado ao ex-governador do Rio Cláudio Castro por meio de terceiros. As informações aparecem na investigação que embasou a Operação Sem Refino 2, cujo sigilo foi derrubado nesta quinta-feira (3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A PF apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, além de possíveis favorecimentos aos interesses da antiga Refinaria de Manguinhos.

Um dos principais pontos levantados pelos investigadores envolve a cobertura onde Castro vive com a família no Condomínio Atmosfera, na Barra da Tijuca. Segundo a PF, o contrato estabelece aluguel mensal de R$ 10 mil, enquanto imóveis semelhantes na região teriam valor de mercado entre R$ 25 mil e R$ 29 mil. A propriedade foi adquirida por R$ 3,48 milhões pela J3 Real Estate Participações Ltda., empresa constituída apenas 50 dias antes da compra e que teria o apartamento como único ativo registrado. A investigação também se debruça sobre uma mansão no condomínio Locanda Residenze, em Petrópolis. Embora registrada em nome da Concrecasa Construções Inteligentes Ltda., a PF afirma ter encontrado indícios de que Castro administrava o imóvel como se fosse proprietário, cuidando de segurança, contas de energia e obras. Entre as intervenções estaria uma adega climatizada avaliada em R$ 245 mil, cujo projeto teria sido identificado como “AP Adega Claudio Castro”.

Luxo sob investigação

Outro episódio destacado pela PF envolve a compra de R$ 10,5 mil em caviar de alto padrão. De acordo com os investigadores, Castro teria feito pessoalmente a encomenda e solicitado que os produtos fossem entregues em uma suíte do Hotel Emiliano, em São Paulo, onde estava hospedado em abril. Apesar de ter informado ao fornecedor que enviaria o comprovante do Pix, o pagamento teria partido da conta da AC Santos Participações e Empreendimentos, empresa pertencente ao advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como “Pipo”. Ele é apontado pela Polícia Federal como um dos operadores do suposto esquema de lavagem de capitais relacionado ao Grupo Refit. Para os investigadores, episódios como esse reforçariam a suspeita de utilização de terceiros para bancar despesas pessoais incompatíveis com os rendimentos declarados pelo ex-governador.

A defesa de Cláudio Castro nega qualquer participação em esquema de lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento ao Grupo Refit. Os advogados afirmam que a cobertura possui contrato regular de locação e pagamentos comprováveis e que a residência utilizada em Petrópolis também era alugada, com contrato posteriormente encerrado. Sobre o caviar, sustentam que a encomenda havia sido feita por um amigo e que Castro apenas retirou os produtos para entregá-los, tendo consumido um deles com autorização do comprador. A defesa também afirma não existir relação entre os imóveis, a compra e a Refit, e diz que os contatos mantidos com representantes da empresa foram institucionais. Os advogados pediram ainda que Castro seja ouvido pela Polícia Federal para apresentar documentos e prestar esclarecimentos sobre os fatos investigados.

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