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Polo dá “Golpe” de nostalgia e pode resgatar receita do clássico da Volkswagen

02/09/2026 23:48 Por Redação NTD

Polo Track 2028 poderá adotar motor 1.6 movido exclusivamente a etanol em estratégia que une mais potência e possível redução de impostos

O Gol saiu de cena, mas parece que deixou a camisa 10 pendurada no vestiário da Volkswagen. Agora, o Polo Track pode entrar em campo para vestir novamente algumas das características que marcaram a trajetória do lendário hatch brasileiro. A Volkswagen testa uma configuração do Polo movida exclusivamente a etanol e avalia até mesmo o retorno do motor 1.6 MSI, conjunto que já equipou o modelo no Brasil. A estratégia, além de resgatar uma receita conhecida dos consumidores, pode estar diretamente ligada às regras do IPI Verde, que oferecem benefícios tributários para veículos com determinadas características de eficiência, potência e tipo de combustível.

O protótipo flagrado no interior de São Paulo é um Polo Track e traz uma identificação no painel indicando que o carro utiliza 100% etanol. A proposta não seria apenas uma volta nostálgica aos tempos dos carros movidos exclusivamente pelo combustível da cana, mas uma tentativa da Volkswagen de aproveitar uma brecha tributária. Pelas regras atuais, modelos exclusivamente a etanol podem receber redução de 0,5 ponto percentual no IPI em comparação com equivalentes flex. A Chevrolet já colocou essa estratégia em prática com o Onix Eco, lançado em 2026, equipado com motor 1.0 turbo de 115 cv e câmbio automático de seis marchas.

Gol de volta no DNA

A grande surpresa, porém, pode estar debaixo do capô. de acordo com especialistas da área automotiva, a Volkswagen não estaria testando apenas uma adaptação do atual motor 1.0 MPI para funcionar exclusivamente com etanol. A marca também estaria desenvolvendo uma configuração do conhecido 1.6 16V MSI, justamente o motor utilizado pelo Polo brasileiro até 2022. No Polo Track atual, o 1.0 MPI entrega 84 cv com etanol e 77 cv com gasolina. Já o 1.6 poderia chegar a aproximadamente 116 cv abastecido com etanol, ficando próximo do limite de potência considerado nas regras atuais do IPI Verde e oferecendo um ganho significativo de desempenho ao hatch de entrada.

A estratégia teria ainda um peso simbólico: o Polo Track assumiu o posto deixado pelo Gol, cuja produção foi encerrada após mais de quatro décadas de história. O antigo campeão de vendas brasileiro também teve uma relação histórica com o etanol e, em 2003, ajudou a transformar o mercado ao receber o sistema Total Flex, permitindo o uso de gasolina, etanol ou qualquer mistura dos dois combustíveis. Agora, caso a Volkswagen realmente avance com o Polo dedicado ao etanol, o substituto do Gol poderá fazer justamente o caminho inverso: trocar a flexibilidade do antigo campeão por uma fórmula mais específica, buscando potência, preço competitivo e vantagens fiscais. Seria, de certa forma, o Polo marcando um novo “gol” com uma jogada que o velho ídolo da Volkswagen conhecia muito bem: apostar no combustível brasileiro.