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O show tem que continuar: Lapa canta Arlindo Cruz em roda de samba no Casarão do Firmino

02/09/2026 19:49 Por Waleria de Carvalho

Idealizado por Flora Matos, “Todo Mundo Canta Arlindo Cruz” ocupa o Palácio do Samba no domingo, 6 de setembro, véspera de feriado, com entrada colaborativa e sucessos que atravessaram gerações

Se o show tem que continuar, no coração da Lapa ele continuará em coro. No domingo, 6 de setembro, véspera do feriado da Independência do Brasil, versos, melodias e histórias eternizados por Arlindo Cruz voltam a ecoar em uma grande roda de samba no Casarão do Firmino, conhecido como Palácio do Samba. A partir das 17h00, a casa recebe o projeto “Todo Mundo Canta Arlindo Cruz”, uma homenagem que transforma saudade em celebração e convida o público a cantar a obra de um dos maiores compositores e intérpretes do gênero. Idealizada por Flora Matos, filha do sambista, que também assume o papel de mestre de cerimônias, a noite terá ainda Baby Cruz, convidados-surpresa e DJ Nicolle Neumann comandando os intervalos. A entrada será colaborativa e, para completar o clima de confraternização, haverá chopp liberado até as 18h30.

A homenagem percorrerá diferentes capítulos da extensa trajetória de Arlindo Cruz, morto em 8 de agosto de 2025, aos 66 anos, após anos enfrentando complicações decorrentes de um AVC sofrido em 2017. A viagem musical começa nos tempos do Fundo de Quintal, grupo ao qual se juntou em 1981 e onde permaneceu durante 12 anos, ajudando a construir uma sonoridade que renovaria o samba e o pagode. Passa também pela parceria com Sombrinha, com quem lançou cinco discos, e chega à carreira solo, período em que Arlindo ampliou sua projeção e transformou composições em parte da memória afetiva brasileira. No repertório dessa história estão músicas como “Meu Lugar”, “O Bem” e “O Show Tem que Continuar”, além de sambas-enredo e inúmeras obras gravadas por grandes intérpretes. A ligação com o Império Serrano, sua escola do coração, também ganha espaço na celebração, recuperando composições que atravessaram a Marquês de Sapucaí e reafirmaram sua relação profunda com o carnaval carioca.

Saudade vira samba

O cenário escolhido para a homenagem não poderia ser mais simbólico. Instalado na Rua da Relação, 19, na Lapa, o Casarão do Firmino vem se consolidando como um dos pontos de encontro do samba carioca ao recuperar o espírito das antigas rodas de partido-alto, aproximando artistas consagrados, novos nomes, moradores do Rio e turistas. Idealizado pelo empresário Carlos Firmino, o espaço aposta em eventos gratuitos ou com contribuição colaborativa como forma de ampliar o acesso à cultura popular. Por suas rodas já passaram nomes como Jorge Aragão, Moacyr Luz, Xande de Pilares, Sombrinha, Pique Novo, Marquinhos Sensação, Netinho de Paula e Gustavo Lins, entre outros. A popularidade pode ser medida pelas filas que frequentemente avançam pela Rua da Relação em direção à Rua do Lavradio — ou pelo bordão “Amarra a marimba e espalha a fofoca!”, criado por Firmino e incorporado por artistas e frequentadores. O trabalho de preservação e valorização do samba desenvolvido pela casa também foi reconhecido pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro com o Conjunto de Medalhas de Mérito Pedro Ernesto.

No domingo, porém, o protagonismo será da memória de um artista cuja obra continua encontrando novas vozes. Nascido em 14 de setembro de 1958, Arlindo Cruz construiu uma carreira marcada não apenas pelo sucesso como cantor e instrumentista, mas sobretudo por uma produção como compositor que ajudou a escrever capítulos importantes da história recente do samba. E é justamente essa capacidade de permanecer vivo através das músicas que orienta o “Todo Mundo Canta Arlindo Cruz”: em vez de uma homenagem silenciosa, a proposta é reunir diferentes gerações em torno de um repertório feito para ser compartilhado. A roda começa às 17h, no Casarão do Firmino, na Lapa, com entrada colaborativa e chopp liberado até as 18h30. Na véspera do 7 de Setembro, a independência ganha outro ritmo no Centro do Rio: o de um samba que perdeu seu autor, mas não perdeu a voz — porque, como o próprio Arlindo ajudou a eternizar, o show tem que continuar.

Waleria de Carvalho

@waleria_de_carvalho

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