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Bye, bye, Sussex: Trump celebra saída de Harry e Meghan dos Estados Unidos

02/09/2026 19:07 Por Waleria de Carvalho

Presidente americano diz que nunca foi fã do casal, acusa duquesa de desrespeitar a monarquia e afirma que não os aceitaria de volta se fizesse parte da família real

Depois de seis anos vivendo do outro lado do Atlântico, Harry e Meghan fizeram as malas para voltar ao Reino Unido; e deixaram pelo menos um americano famoso satisfeito com a mudança. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou publicamente a saída do Duque e da Duquesa de Sussex do país e aproveitou a ocasião para renovar uma antiga coleção de críticas ao casal, especialmente a Meghan Markle. Questionado por jornalistas nesta quarta-feira, 2, no Salão Oval da Casa Branca, Trump não escondeu a satisfação com a decisão: disse estar “feliz” e afirmou que nunca foi fã dos dois. O Presidente também acusou Harry e Meghan de terem tratado a família real britânica com grande desrespeito e direcionou suas críticas principalmente à ex-atriz americana, que durante os anos de afastamento da monarquia relatou publicamente as dificuldades enfrentadas no período em que viveu como integrante da realeza. Trump afirmou ter desaprovado a maneira como Meghan se comportou em relação à rainha Elizabeth II e ao rei Charles III e foi além ao comentar a reaproximação do casal com os Windsor: caso dependesse dele, os Sussex não teriam sido recebidos de volta. A declaração acrescenta mais um capítulo à longa troca de hostilidades entre o republicano e a duquesa, iniciada antes mesmo de Trump assumir seu primeiro mandato na Casa Branca.

Harry e Meghan retornaram ao Reino Unido no fim de agosto acompanhados dos filhos, Archie, de 7 anos, e Lilibet, de 5, encerrando uma etapa iniciada em 2020, quando deixaram as funções como membros ativos da família real e se mudaram para os Estados Unidos. O casal se estabeleceu em Montecito, na Califórnia, e construiu uma vida independente da monarquia, fechando contratos comerciais e desenvolvendo projetos próprios. A distância geográfica, porém, esteve longe de encerrar os conflitos familiares. Em 2021, a entrevista concedida a Oprah Winfrey levou para a televisão mundial detalhes das dificuldades vividas pelos dois dentro da instituição. Meghan relatou isolamento e problemas de saúde mental, enquanto o casal afirmou que houve conversas na família sobre a possível cor da pele de Archie antes de seu nascimento. Harry aprofundaria posteriormente as críticas no livro de memórias “O Que Sobra”, lançado em 2023, no qual expôs conflitos com o pai e, principalmente, com o irmão, o príncipe William. O retorno à Inglaterra não representa, entretanto, uma volta ao modelo anterior. Harry e Meghan permanecem afastados das funções oficiais, não deverão morar em uma residência real e continuarão sendo considerados membros não atuantes da família real. Os filhos foram matriculados em uma escola britânica, e a mudança é vista também como uma oportunidade para que Archie e Lilibet tenham maior contato com a família e com o país de origem do pai.

Velhas diferenças

As críticas de Trump a Meghan não nasceram agora e carregam também uma história de divergências políticas. Antes de entrar para a família real, a atriz havia classificado Trump como “divisivo” e “misógino” durante a campanha presidencial americana de 2016, declarações que nunca foram esquecidas pelo republicano. Ao longo dos anos seguintes, o Presidente respondeu em diferentes ocasiões, chegando a classificá-la como “desagradável” e deixando claro que não nutria simpatia pela duquesa. Em 2020, quando Harry e Meghan se instalaram nos Estados Unidos, Trump também declarou que os contribuintes americanos não deveriam arcar com os custos de segurança do casal. Nesta quarta-feira, o republicano aproveitou o retorno dos Sussex para contrastar sua opinião sobre os dois com a relação que mantém com a monarquia. Ele ressaltou a proximidade que teve com a rainha Elizabeth II e elogiou Charles III, com quem afirmou manter um relacionamento muito bom. A defesa pública da instituição ajuda a explicar por que Trump interpreta as críticas feitas por Harry e Meghan à família como uma espécie de deslealdade. A avaliação do Presidente americano, entretanto, não corresponde necessariamente à posição do próprio rei. Apesar dos anos de afastamento, Harry vem dando sinais de reconstrução da relação com o pai, diagnosticado com câncer em 2024, e encontros realizados nos últimos meses alimentaram a percepção de que existe uma tentativa de reconciliação. Com William, porém, o cenário permanece bem mais complicado, e não há sinais públicos de uma reaproximação semelhante.

A volta de Harry e Meghan à Inglaterra encerra um exílio voluntário que parecia, até pouco tempo atrás, difícil de reverter. Em maio de 2025, o príncipe chegou a dizer que desejava uma reconciliação com a família e lamentou não poder mostrar seu país aos filhos. Desde então, encontros com Charles contribuíram para reduzir parte da distância entre pai e filho, e a decisão de levar Archie e Lilibet para viver no Reino Unido pode aprofundar esse movimento. Isso não significa, contudo, que o casal esteja retomando seu antigo lugar na estrutura da monarquia. O acordo estabelecido quando os Sussex abandonaram as funções reais continua valendo, e não está prevista a retomada de compromissos oficiais em nome do rei. Harry e Meghan devem viver como cidadãos particulares em uma residência fora de Londres, preservando a independência que buscaram quando deixaram o país em 2020. Para Trump, porém, nem a passagem do tempo nem os sinais de reconciliação parecem suficientes para apagar as críticas públicas feitas pelos dois aos Windsor. Ao afirmar que não os teria recebido novamente caso estivesse no lugar da família real, o Presidente americano acabou entrando em uma reconciliação que não lhe pertence — e mostrou que a mudança dos Sussex pode encerrar seis anos de vida na Califórnia, mas dificilmente colocará um ponto final nas controvérsias que acompanham o casal. Harry e Meghan voltaram para casa; Trump, ao menos, parece satisfeito em vê-los partir.

Waleria de Carvalho

@waleria_de_carvalho

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