Encerramento da unidade de Andradas põe fim a anos de produção e abre período de incerteza para funcionários e famílias
Para mais de 400 trabalhadores de Andradas, no Sul de Minas Gerais, a notícia do fechamento da fábrica da Kohler representa muito mais do que o fim de uma linha de produção: significa a interrupção de empregos, rotinas e planos construídos ao longo dos anos. A empresa encerrou nesta segunda-feira, 31, as atividades de sua única unidade industrial no Brasil, colocando em risco uma importante fonte de renda para famílias da região. A fábrica chegou a empregar cerca de mil pessoas antes da pandemia, recebeu mais de R$ 200 milhões em investimentos e tinha capacidade para produzir aproximadamente 1 milhão de peças por ano. Agora, os funcionários entram em um período de transição marcado pela preocupação com o futuro profissional e pela necessidade de encontrar novas oportunidades em uma região diretamente afetada pela decisão.
A empresa informou que os trabalhadores permanecerão em licença remunerada até 30 de setembro, com manutenção dos salários e das condições de emprego durante esse período. Embora a medida ofereça algum fôlego financeiro no curto prazo, ela não elimina a insegurança provocada pelo encerramento definitivo das atividades. Para auxiliar os funcionários na busca por novas colocações, uma consultoria foi contratada para apoiar a atualização de currículos e a procura por oportunidades no mercado de trabalho. O sindicato dos trabalhadores das indústrias de cerâmica também iniciou negociações coletivas com a Kohler, enquanto a Prefeitura de Andradas acompanha o processo e os impactos econômicos provocados pelo fechamento. A preocupação vai além dos empregados diretamente atingidos, já que a redução da atividade industrial pode afetar o comércio e outros setores que dependem da renda gerada pela fábrica.
Um futuro ainda incerto
O encerramento da unidade ocorre apesar do histórico de investimentos e da importância que a fábrica conquistou para a economia local. A Kohler justificou a decisão como parte de uma mudança em sua estratégia global, com a intenção de concentrar seus negócios nos segmentos premium e de luxo. A unidade de Andradas produzia principalmente itens destinados a uma faixa de mercado mais competitiva e sujeita à pressão por preços. A companhia também encerrou a marca Fiori no Brasil. Ao mesmo tempo, a expansão da produção no México e a possibilidade de importar produtos de outras unidades, inclusive da Ásia, reduziram a necessidade de manter a estrutura industrial brasileira. A mudança deixa os trabalhadores diante de um cenário em que a experiência acumulada dentro da empresa precisará ser convertida rapidamente em novas oportunidades profissionais.
O impacto também alcança a própria cidade de Andradas, que perde uma operação industrial de grande porte e centenas de postos de trabalho diretos. A companhia ainda avalia o destino do parque fabril e considera a possibilidade de vender a unidade para outra empresa, alternativa que poderia representar uma esperança de reaproveitamento da estrutura e, eventualmente, de recuperação de parte dos empregos. Enquanto isso, a Kohler pretende manter sua presença comercial no país, com lojas, distribuição e importação de produtos, além de ampliar sua atuação no mercado de alto padrão. Para os mais de 400 trabalhadores atingidos, porém, o fechamento marca o fim de um ciclo e abre outro, ainda sem garantias sobre quantos conseguirão permanecer na indústria ou encontrar rapidamente uma nova colocação.