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Mato Grosso ferve: Estado domina ranking do calor e Rondonópolis vira forno nacional

01/09/2026 12:36 Por Redação NTD

Seis das dez maiores temperaturas do Brasil foram registradas em cidades mato-grossenses, enquanto termômetros acima dos 40°C e baixa umidade ampliam alerta para a população

Se o Brasil terminou agosto no forno, Mato Grosso ficou com a prateleira mais quente. O estado concentrou seis das dez maiores temperaturas registradas no país nesta segunda-feira, 31, segundo levantamento provisório do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), e colocou Rondonópolis no topo de um ranking que ninguém gostaria de liderar. A cidade, localizada a cerca de 218 quilômetros de Cuiabá, atingiu impressionantes 42,3°C e registrou a maior temperatura brasileira do dia. O calor extremo não ficou restrito a um ponto do mapa: Nova Xavantina marcou 41,9°C, Santo Antônio do Leverger chegou a 41,7°C e Cuiabá alcançou 41,4°C, enquanto outros municípios mato-grossenses também ultrapassaram com facilidade a barreira dos 40°C. Ao todo, pelo menos 11 cidades do estado registraram temperaturas nesse patamar, consolidando Mato Grosso como o epicentro do calor no encerramento do mês. A sequência de recordes transforma aquilo que já faz parte da fama climática da região em um cenário ainda mais intenso: dias consecutivos de temperaturas muito elevadas, ar extremamente seco e uma sensação térmica que torna atividades comuns ao ar livre um desafio, especialmente durante a tarde.

A escalada dos termômetros já vinha dando sinais claros nos dias anteriores. No domingo, 30, Cuiabá alcançou 41,2°C e estabeleceu sua maior temperatura de 2026 até então, superando os 40,3°C registrados apenas cinco dias antes. A marca também fez a capital mato-grossense ultrapassar o Rio de Janeiro, que havia chegado a 40,8°C em janeiro, e assumir o posto de capital brasileira com a maior temperatura registrada no ano. Foi ainda a sexta vez somente em agosto que Cuiabá atingiu ou ultrapassou os 40°C, evidenciando que o episódio não se resume a um único dia excepcionalmente quente. No mesmo domingo, Nova Xavantina já havia alcançado 41,7°C, Santo Antônio do Leverger registrou 41,1°C e Barra do Garças chegou a 40,8°C. O cenário estava dentro de uma tendência identificada anteriormente pelo Inmet: a previsão climática para agosto apontava temperaturas médias até 2°C acima da climatologia em áreas do norte e oeste de Mato Grosso. Nos últimos dias do mês, o próprio instituto havia alertado para uma forte elevação das temperaturas no Centro-Oeste e no sul da Amazônia, com máximas próximas ou superiores aos 40°C. A combinação entre forte incidência solar, massa de ar quente e períodos de pouca chuva ajudou a criar as condições para que os termômetros disparassem justamente na reta final do inverno.

Calor que preocupa

Mais do que alimentar rankings e quebrar recordes, a sequência de temperaturas extremas traz consequências diretas para a saúde, o meio ambiente e a rotina das cidades. O calor intenso ocorre em um período tradicionalmente marcado por baixa umidade no Centro-Oeste, combinação que acelera a perda de líquidos pelo organismo e aumenta o risco de desidratação, mal-estar, dores de cabeça e problemas respiratórios. Crianças, idosos e pessoas que trabalham ou permanecem longos períodos ao ar livre exigem atenção especial. A vegetação ressecada também transforma áreas naturais em ambientes altamente vulneráveis ao fogo: em Santo Antônio do Leverger, um incêndio atingiu o Morro de Santo Antônio enquanto a região enfrentava temperaturas superiores aos 40°C, e as chamas puderam ser observadas a partir de Cuiabá e Várzea Grande. Em condições como essas, focos pequenos podem ganhar proporções rapidamente, sobretudo quando se combinam altas temperaturas, baixa umidade e vento. O calor já provoca até mudanças na organização da vida pública. Em Cuiabá, o tradicional Desfile Cívico de 7 de Setembro foi programado para o período noturno, com concentração a partir das 18h30, numa tentativa de reduzir a exposição de estudantes e do público às temperaturas extremas. Entre as principais recomendações estão aumentar a ingestão de água, reduzir atividades físicas intensas durante os horários mais quentes e evitar exposição prolongada ao sol.

O início de setembro, porém, pode trazer alguma mudança no cenário, ainda que isso não represente o fim imediato do calor. A previsão climática do Inmet indica possibilidade de volumes de chuva acima da média histórica em áreas do Centro-Oeste ao longo do mês, enquanto mudanças na circulação atmosférica podem provocar oscilações nas temperaturas. A transição entre o período mais seco e a retomada gradual das chuvas também costuma produzir outro ingrediente conhecido dos moradores da região: tempestades pontuais depois de dias de calor intenso. Por enquanto, o retrato deixado pelo encerramento de agosto é de extremos. Rondonópolis terminou o mês com 42,3°C; Cuiabá estabeleceu um novo recorde anual entre as capitais; várias cidades passaram simultaneamente dos 40°C; e Mato Grosso ocupou seis posições entre as dez maiores temperaturas brasileiras. Os números ajudam a dimensionar um episódio que vai muito além da conhecida fama de calor do estado. Quando seis de cada dez lugares mais quentes do país estão dentro das mesmas fronteiras, o termômetro deixa de ser apenas assunto para conversa e passa a funcionar como sinal de alerta. Em Mato Grosso, agosto terminou como começou setembro: com o calor deixando de bater à porta para praticamente entrar sem pedir licença.